Título: Usiminas adquire a gaúcha Zamprogna por R$ 160 milhões
Autor: Ribeiro , Ivo
Fonte: Valor Econômico, 19/12/2008, Empresas, p. B1

O apetite da Usiminas por montar uma grande operação para atuar de forma agressiva no negócio de distribuição e centro de serviços de aço parece mais aguçado do que se imaginava. Ao mesmo tempo em que costura a integração das três empresas nas quais tem participações nesse setor - Rio Negro, Dufer e Fasal -, a siderúrgica mineira faz um movimento considerado estratégico e ousado ao adquirir a gaúcha Zamprogna, quinta maior no ranking dos distribuidores de produtos siderúrgicos do país.

Com a aquisição, pela qual pagou R$ 160 milhões e assumiu dívida líquida de R$ 405 milhões, a Usiminas consolida sua posição de liderança nesse mercado, hoje de 15%, pressionada pela gigante ArcelorMittal, com 14%. Ao incorporar a empresa gaúcha, sua participação salta para 22%, ou seja, vai a quase um quarto dos negócios desse setor, que já movimenta por ano quase 4 milhões de toneladas de aços planos.

A aquisição, que na avaliação de especialistas do setor já é fruto de uma gestão mais ágil na Usiminas - conselho e diretoria executiva afinados -, introduz a siderúrgica também na fabricação de tubos com costura, uma das especialidades da Zamprogna, que opera três fábricas no país: uma próximo de Porto Alegre e duas na Grande São Paulo..

"Para a Usiminas o negócio foi muito bom: vai ganhar forte presença na região Sul e além disso mostra sua estratégia para dominar o canal de distribuição", afirma Fabiano Ramos, sócio-diretor consultoria Voga Advisory. Em 2006 e no ano passado, Ramos elaborou um estudo mostrando que a consolidação nesse segmento da siderurgia era questão de tempo para ser desencadeada e que havia muito espaço para isso. Neste ano, a ArcelorMittal comprou a Manchester, de Minas, e 50% do capital da espanhola Gonvarri no Brasil. A própria Usiminas levou os 49% da ThyssenKrupp na Dufer. Há poucos dias, a Açometal adquiriu duas outras pequenas distribuidoras.

Em comunicado ao mercado, a empresa mineira ressaltou o aumento da presença na região Sul do país com a operação e o fato de ela inaugurar sua entrada na fabricação de tubos. Além de fabricar tubos, a Zamprogna é distribuidora de chapas, perfis e telhas de aço.

Conforme o fato relevante da Usiminas, a celebração dos contratos definitivos ocorrerá até 28 de fevereiro de 2009 e o preço de aquisição ainda deve ser ajustado pelas variações do capital de giro e dívida líquida consolidada. Em 30 de setembro, o capital de giro da Zamprogna era de aproximadamente R$ 245 milhões.

Com relação às sinergias entre as subsidiárias de distribuição da Usiminas e da Zamprogna, a siderúrgica aponta que praticamente não há superposição de clientes e que existe uma complementaridade geográfica e de produtos. "A Usiminas não detinha participação significativa no mercado de distribuição e centros de serviço na região Sul e, com a aquisição, deverá alcançar um expressivo aumento de vendas", aponta no comunicado o vice-presidente de finanças, relações com investidores e tecnologia da informação da Usiminas, Paulo Penido Pinto Marques. A companhia não concedeu entrevista para detalhar o negócio.

Cerca de 95% do aço plano laminado adquirido pela Zamprogna para revenda e beneficiamento de seus produtos em três fábricas são provenientes de concorrentes da Usiminas. A partir de agora, aproximadamente 300 mil toneladas serão diretamente supridas pelas duas fábricas da siderúrgica mineira - Ipatinga, no Vale do Aço, Cosipa, em Cubatão (SP).

Em 2007, as vendas da Zamprogna alcançaram 270 mil toneladas e sua receita líquida R$ 723 milhões. Até setembro de 2008, as vendas foram de 246 mil toneladas com receita de R$ 685 milhões. "Conseguimos dobrar o faturamento da empresa e acrescentar novos produtos", disse Luis Eduardo Abreu, da NSG Capital. Seu objetivo, antes da crise, era superar R$ 1 bilhão de receita.

Para Ramos, da Voga, a Zamprogna estava pressionada pela dívida, elevada, e por baixas margens líquidas e geração de caixa.