Título: Crédito liberado pelos fundos regionais cresceu 80% em 2008
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Fonte: Valor Econômico, 17/02/2009, Brasil, p. A3

Os três fundos constitucionais de financiamento liberaram quase R$ 13,2 bilhões em 2008, elevando em 80% o valor das operações de crédito na comparação com o ano anterior. Para o Ministério da Integração Nacional, responsável pela gestão dos recursos, os fundos de desenvolvimento regional se tornaram uma das opções mais atrativas para financiar empresas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste que têm encontrado dificuldades de crédito por causa do agravamento da crise.

Os conselhos deliberativos dos fundos constitucionais do Norte (FNO), Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO) aumentaram o teto das aplicações para a compra de insumos e matérias-primas pelas indústrias exportadoras. Outros setores, exportadores ou voltados para o mercado doméstico, têm uma linha com carência de seis meses e prazo máximo de 24 meses para o pagamento, tornando-se uma opção para capital de giro.

O ministério diz que, como os recursos estão garantidos pelo orçamento federal e circulam dentro dos próprios fundos - a devolução dos empréstimos retorna para novos empréstimos -, a crise financeira não afeta o trâmite dos desembolsos.

Em 2008, as aplicações do FNE cresceram 80% e atingiram mais de R$ 7,6 bilhões, mas houve diminuição do número de operações. O ministério atribui a queda à menor demanda e à inadimplência de beneficiados pelo Pronaf, o programa de fortalecimento da agricultura familiar. As aplicações do FNO alcançaram mais de R$ 2 bilhões, alta de 85% em relação ao ano anterior. Os desembolsos do FCO chegaram a R$ 3,5 bilhões, com expansão de 75%. Nos dois casos, houve aumento também do número de operações.

Dos três fundos, o FNO é o único que terá mais dinheiro para liberar em 2009 - serão R$ 2,679 bilhões. Os fundos do Nordeste e do Centro-Oeste terão queda em seus orçamentos, mas o montante total disponível ficará em torno de R$ 13,1 bilhões, próximo dos recursos liberados em 2009.

A tendência natural seria de retração dos orçamentos, pois a fonte dos três fundos é o repasse de 3% do valor arrecadado pelo Tesouro Nacional com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto de Renda. Com a crise, a arrecadação deverá cair neste ano. Mas, segundo Roberto Albuquerque, chefe do Departamento de Gestão dos Fundos de Desenvolvimento Regional, o pagamento de empréstimos concedidos no passado e a sobra dos orçamentos de anos anteriores evitaram perdas para os fundos.

Albuquerque ressalta que baixo custo e prazos longos são os principais atrativos dos fundos constitucionais. Ele garante ainda que os recursos do orçamento de 2009 serão suficientes para atender a demanda. "Não adianta ter juro baixo e recursos limitados", afirma. Uma das grandes prioridades, neste ano, é tentar aumentar os desembolsos para pequenos e médias empresas, não apenas do setor rural. "São segmentos que geram muito emprego", justifica Albuquerque.

Além disso, os fundos estão atraindo empresas que antes buscavam financiamento em outras fontes, que secaram. "O que se notou já em 2008 foi um aumento da demanda dos grandes, na parte industrial e de infraestrutura, sobretudo em energia."

No FNE, as grandes empresas - com faturamento anual acima de R$ 35 milhões, à exceção dos produtores rurais, cuja faixa de corte é menor - deverão receber 47,7% dos recursos em 2009. Individualmente, os segmentos de bovinocultura, turismo e energia alternativa serão os maiores contemplados, segundo as previsões feitas pelo ministério para o ano.