Título: Depois de demissões, CSN propõe garantia de emprego por um ano
Autor: Durão , Vera Saavedra
Fonte: Valor Econômico, 19/02/2009, Brasil, p. A5
O Sindicato de Metalúrgicos de Volta Redonda se reúne hoje em assembleia para tomar conhecimento detalhado da proposta de garantia do emprego por um ano que lhe foi enviada ontem, pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que em quatro meses já demitiu 1.300 trabalhadores de um contingente anterior de 8 mil trabalhadores. Amanhã, o presidente do sindicato, Renato Ramos, caso a assembleia informativa de hoje seja bem sucedida, pretende realizar uma assembleia deliberativa submetendo a proposta da CSN a votação secreta. A empresa deu prazo até amanhã para aprovação do "pacote anticrise" e ameaçou demitir mais 1 mil empregados em caso de discordância, disse Ramos ao Valor.
Para enfrentar a crise econômica, como informa em nota enviada a imprensa, a CSN propôs seis meses de manutenção de pessoal e, persistindo a crise , ao invés de dispensa do emprego, sugere suspender temporariamente o contrato de trabalho ou dar licença remunerada ao potencial demitido. Em contrapartida, reivindica dos trabalhadores o retorno do turno de revezamento ininterrupto de oito horas, a implementação do banco de horas extras de 60 dias e a flexibilização dos itens do Acordo Coletivo superiores ao que determina a CLT, até abril de 2010. Por exemplo, no caso de horas extras, a CSN paga 50% do salário por até duas horas extras, para três horas, ela paga 75% e daí para cima, paga 100%. A CLT determina o pagamento de 50% seja qual for o total das horas extras.
Ramos considera a proposta "difícil", pois envolve perda de direitos negociados em acordo coletivo e também de renúncia do turno de seis horas, "que dá mais emprego e preserva a saúde do trabalhador". Ele pretende propor que esta mudança de turno seja temporária, enquanto durar este acordo (um ano). O turno de seis horas, argumenta, "é de lei, está na constituição de 1988 e três operários da CSN foram mortos na greve de 88, em confronto com o Exército, defendendo esta bandeira".
"Se tivermos de abrir mão deste compromisso a empresa deve restabelecer o turno de seis horas assim que vencer o prazo do acordo", afirmou. Ele contou ainda que em reunião ocorrida ontem, com o diretor de operações da empresa, Enéias Garcia, o sindicato fez contrapropostas que não foram aceitas pela direção da companhia. "Nossa contraproposta era intermediária entre o que está na lei e o que ganhamos no acordo. A bonificação de férias, por exemplo, é de 33% do salário na CLT e no acordo coletivo, é 70%. Propusemos, para fins de acerto com a empresa, um percentual entre 55% e 60%, mas não fomos ouvidos", disparou.