Título: Desmate na Amazônia tem queda de 70%
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Fonte: Valor Econômico, 04/03/2009, Brasil, p. A3

O desmatamento na Amazônia Legal nos meses de novembro, dezembro e janeiro diminuiu 70% na comparação com o ano anterior e totalizou 754,3 quilômetros quadrados no período - área equivalente a cerca de metade do município de São Paulo. A redução foi atribuída pelo governo às ações de repressão da Polícia Federal e a medidas de controle elaboradas em parceria com o setor privado, como a moratória à soja proveniente de regiões desmatadas.

O destaque negativo ficou com o Maranhão, que se consolidou como o terceiro Estado que mais destrói a floresta amazônica, posição ocupada anteriormente por Rondônia - Pará e Mato Grosso, nessa ordem, continuam líderes.

Os dados preocupam o Ministério do Meio Ambiente e podem levar à inclusão de cidades do Maranhão na lista dos municípios que mais desmatam no país, hoje com predominância da região norte de Mato Grosso. O ministro Carlos Minc observou que a maior concentração de desmate no Estado está nos arredores de Imperatriz, próximo ao início da Transamazônica. De acordo com ele, o motivo é a exploração de carvão por siderúrgicas e guserias maranhenses. "Vamos fazer barreiras nas conexões rodoviárias do Pará com o Maranhão", disse Minc, prometendo novas ações para reverter a tendência.

A delegada Fernanda Santos, da divisão de repressão contra os crimes ao meio ambiente e ao patrimônio histórico da Polícia Federal, acredita que as operações policiais no Mato Grosso, Pará e Rondônia estão empurrando atividades criminosas de extração ilegal de madeira para o Maranhão. Segundo ela, trata-se de uma rede extensa. "Nas madeireiras mesmo, muitas vezes o que existe é apenas o laranja", disse.

Minc não vinculou a queda do desmatamento à crise econômica. Ele lembrou que os agentes econômicos não respondem imediatamente aos menores preços da agropecuária e o reflexo na abertura mais lenta de novas frentes de exploração tem um atraso de seis meses a um ano.

"A crise se instalou forte entre outubro e novembro. É natural que, se ela continuar, isso vai se manifestar (na queda do desmatamento) em abril ou maio", afirmou o ministro, em referência ao início do período seco na Amazônia, quando tradicionalmente há crescimento da deflorestação.

Apesar dos bons resultados do último trimestre, Minc disse que "ainda não estamos satisfeitos" e enumerou medidas para frear ainda mais o desmatamento em 2009. Entre elas está a contratação de mais quatro aeronaves de monitoramento da Amazônia, responsáveis pela checagem de dados do Deter, o sistema de satélite que aponta indícios de derrubada da floresta. Ele disse que o zoneamento econômico-ecológico da Amazônia Legal será concluído neste ano e anunciou a liberação de concurso público para mais 1.000 servidores (550 do Ibama e 450 do Instituto Chico Mendes) para atuar especificamente na região.

Como há grande acúmulo de nuvens nesta época do ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) reuniu os dados de três meses para divulgar o último balanço. No trimestre, a cobertura de nuvens foi de 75%, uma proporção mais alta do que os 60% verificados no ano anterior. Isso tende a acobertar áreas de desmatamento, admitiu Minc, mas é insuficiente para justificar a redução total, considerada muito forte. "Isso explica apenas uma pequena parcela dessa queda."

O ministro informou que na primeira revisão do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, a ser realizada em março de 2010, o governo introduzirá metas de redução do desmatamento em outros biomas que hoje não são monitorados. É o caso do Cerrado (principalmente no Centro-Oeste), do Pantanal (sobretudo no Mato Grosso do Sul), da caatinga (Nordeste) e da Mata Atlântica (faixa costeira do Sudeste e do Nordeste). Uma das maiores inovações do plano, lançado no fim de 2008, foi a adoção de metas para conter a deflorestação da Amazônia, o que rendeu elogios ao Brasil na conferência de Poznán, Polônia, que começou a preparar o acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto em 2012. (DR)