Título: Companhia investirá R$ 500 mi em logística
Autor: Francisco Góes
Fonte: Valor Econômico, 03/03/2005, Empresas &, p. B1

A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) está se antecipando ao aumento da movimentação de aço e insumos siderúrgicos, como carvão, coque e ferro-gusa, a partir de 2006-2007, com investimentos de quase R$ 500 milhões na compra de vagões e locomotivas e em obras de infra-estrutura em portos e ferrovias. Do total aplicado pela Vale na logística da siderurgia, R$ 141 milhões foram desembolsados em 2003-2004 e outros R$ 350 milhões estão previstos para 2005-2006 para suportar as expansões da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) e da Açominas. A expansão da CST, a partir de meados de 2006, aumentará em mais de 600 mil toneladas/ano o volume de aço movimentado pela Vale, como prestadora de serviço logístico para a usina capixaba. O projeto da CST de elevar sua capacidade de produção em 50% também irá demandar mais importação de carvão. Resultado: a CVRD projeta movimentar mais 2,5 milhões de toneladas de carvão por ano entre o Terminal de Praia Mole, por onde chega o carvão, e a fábrica da CST, próxima ao porto, informou Guilherme Laager, diretor de logística da CVRD. O Terminal de Praia Mole recebeu R$ 56,2 milhões nos últimos anos para ampliar a capacidade de recebimento de carvão em 2,8 milhões de toneladas/ano. A Vale comprou duas locomotivas e 170 vagões para atender a expansão da CST, além de adequar pátios e terminais e de fazer o desenho logístico para a operação da coqueria em construção na área da usina. No caso da expansão da Açominas, a Vale prevê movimentar mais 1 milhão de toneladas de aço por ano e 1,3 milhão de toneladas/ano de carvão. O projeto da Vale para apoiar o crescimento da usina de Ouro Branco, controlada pelo grupo Gerdau, prevê a compra de 320 vagões e 5 locomotivas. Expansões como estas têm efeitos nas atividades de transporte, armazenagem e movimentação portuária, entre outras, e, portanto, requerem não só compra de material rodante como também melhorias e adequações na infra-estrutura de pátios e terminais e até a construção de ramais férreos em alguns casos, salientou Mauro Dias, diretor comercial da área de logística da CVRD. No total, a Vale investiu cerca de US$ 53 milhões em 2003 e 2004 para comprar 498 vagões e 14 locomotivas para atendimento à demanda da siderurgia. O setor é o maior cliente da área de logística da Vale. Em 2004, o setor contribuiu com 36,4% do faturamento da Vale com logística, que atingiu US$ 760 milhões. Segundo Laager, esse faturamento corresponde a 20% do mercado logístico no qual a empresa tem ativos (ferrovias, terminais, portos). No total, o mercado logístico no Brasil é de cerca de US$ 48 bilhões, calcula Laager. Mas a Vale só tem expertise logística em uma parcela disso, algo como US$ 15 bilhões, diz. Ele acrescenta que se for considerado o mercado nas regiões onde a empresa tem corredores logísticos, esse montante cai para US$ 3,8 bilhões. Mauro Dias, diretor comercial de logística da Vale, diz que em 2004 houve queda na participação relativa da siderurgia no faturamento da logística, que foi de 40,5% em 2003. A redução se deu porque os demais setores, como agricultura e intermodal (transporte de produtos de alto valor agregado) cresceram mais do que a siderurgia. Em 2004, a Vale movimentou 24,5 milhões de toneladas em produtos siderúrgicos, com crescimento de 6,5% sobre 2003. Para 2005, a previsão é movimentar 26 milhões de toneladas. Só em produtos de aço a movimentação pelas ferrovias Vitória a Minas (EFVM), Centro-Atlântica (FCA), e Carajás (EFC) somou 6,5 milhões de toneladas no ano passado. No período 1999-2004, a movimentação de ferro-gusa no sistema Sul da Vale cresceu 11% ao ano, em média. Já pelo Sistema Norte, o aumento no transporte do produto no período foi ainda maior, de 16% ao ano, disse Fabrício Cota, gerente-geral comercial de siderurgia da Vale. Na EFC, o volume de carga geral transportado subiu 34% ao ano, em média, entre 2001 e 2004, enquanto o minério de ferro cresceu 12,8% ao ano no período. Já na EFVM, o volume de carga geral transportado cresceu 14,4% em igual período ante 4,9% ao ano do minério de ferro.