Título: BNDES garante financiamento para Embraer
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 10/03/2009, Empresas, p. B1
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá financiar as exportações de aeronaves da Embraer este ano em níveis semelhantes ou até superiores aos de 2008, quando desembolsou US$ 542 milhões para empresas aéreas estrangeiras comprarem aviões da fabricante brasileira. O apoio à empresa poderá até ganhar participação relativa nos desembolsos do BNDES-Exim, braço de exportações do banco, em 2009, em um movimento iniciado em 2008.
O ano passado marcou a retomada dos financiamentos do BNDES à Embraer depois de um período em que houve boa disponibilidade de linhas de crédito no mercado para atender às empresas aéreas. Com a crise, as linhas de financiamento secaram e ganhou importância o papel das agências de crédito à exportação no apoio aos fabricantes de aeronaves. "Se a Embraer não tiver apoio do governo brasileiro, via BNDES, fica fora do mercado", diz Luiz Antonio Araujo Dantas, superintendente da área de exportações do banco.
O BNDES cumpre, segundo ele, um papel "anticíclico", na mesma trilha de outras agências de crédito à exportação nos países desenvolvidos, que apoiam as vendas de outros fabricantes como Bombardier, Boeing e Airbus. As instituições que suportam as vendas da Boeing e da Airbus estariam dispostas a dobrar o apoio a essas empresas em 2009, segundo informações do próprio BNDES-Exim. No Brasil o apoio à Embraer, via BNDES, vai continuar em 2009, apesar dos pedidos de adiamento recebidos pela empresa para entrega de aeronaves comerciais.
Na semana passada, o presidente da Embraer, Frederico Curado, disse que clientes da empresa remarcaram a entrega de aeronaves comerciais para daqui a dois, três anos. Isso significa que a empresa vai produzir este ano menos aeronaves do que havia previsto inicialmente. O ajuste é resultado da retração das empresas aéreas, que frente à crise botaram o pé no freio. A queda no preço do combustível também tende a adiar a substituição de aeronaves antigas por modelos mais eficientes.
Há quem tenha questionado, no meio sindical, se o BNDES continuaria a financiar a Embraer depois das demissões anunciadas pela empresa. Para Dantas, a questão é simples: "Em momentos de crise, quando secam as linhas de financiamento internacionais, o apoio das agências de crédito é fundamental."
O BNDES financia a venda de aeronaves comerciais, das famílias 170 e 190, produzidos pela Embraer. Mas não faz operações envolvendo aeronaves executivas, outra das linhas fabricadas pela empresa. O BNDES paga à Embraer, no Brasil, o montante correspondente, em dólares, da venda da aeronave. O banco, por sua vez, tem o retorno do financiamento por meio da empresa área compradora do avião, que paga a dívida em prazo de 12 a 15 anos. A garantia é a própria aeronave e há casos, dependendo do país, em que são exigidas garantias adicionais.
Os pedidos de financiamento de aeronaves apresentados ao BNDES representam uma parte da carteira de encomendas de aviões comerciais da Embraer já que, em alguns casos, os clientes da fabricante brasileira (as empresas aéreas) têm compromissos de financiamento válidos, assinados com outras instituições financeiras antes da crise.
O banco não revela os números. "O BNDES tem espaço para operar com o setor aeronáutico e imaginamos que poderemos fazer, em 2009, algo parecido com 2008 (em termos de operações de financiamento para a Embraer)", diz Dantas. Os empréstimos do BNDES são feitos no momento da entrega da aeronave ao importador em São José dos Campos (SP), onde está a sede da empresa.