Título: Crédito imobiliário cresce 17,5% em janeiro, para R$ 1,9 bilhão
Autor: Travaglini , Fernando
Fonte: Valor Econômico, 13/03/2009, Finanças, p. C2
As contratações de financiamento imobiliário parecem ser um dos poucos setores do crédito que mantêm crescimento relativamente alto em relação aos dados do ano passado. Os bancos concederam R$ 1,905 bilhão em empréstimos no primeiro mês do ano, avanço de 17,5% em relação ao patamar de 2008.
Os recursos foram suficientes para a construção e aquisição de 17,7 mil unidades, crescimento anual de 3,85%. Nos últimos doze meses, o número de unidades financiadas superou 300,3 mil e o volume de recursos, R$ 30 bilhões. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e são relativos às operações com recursos da caderneta de poupança feitas pelos agentes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Em relação ao ano passado, no entanto, a queda foi de 24,9%, já que em dezembro, período em que sazonalmente as concessões são mais altas, o patamar de liberações foi de R$ 2,535 bilhões. Outro dado que mostra certa desaceleração do setor é que em agosto, último mês antes do agravamento da crise financeira, as concessões haviam chegado a R$ 3,481 bilhões.
Ao longo do ano passado, o volume de concessão de empréstimos imobiliários para mutuários e empresas da construção civil chegou a R$ 30,048 bilhões, registrando avanço de 64,4% em relação aos R$ 18,282 bilhões do ano anterior.
Para este ano, a entidade ainda não divulgou previsões de crescimento, mas é esperado um grande número de entrega de empreendimentos entre 2009 e 2010. Isso deve garantir bons números para o segmento. Por conta disso, alguns participantes acreditam que os números de 2008 possam ser repetidos.
A diferença é que, por conta das dificuldades geradas pela crise econômica, e com as entregas previstas de novas unidades, o crédito para mutuários pode superar as liberações para as incorporadoras. Em 2008, o maior volume de recursos foi para a construção, R$ 16,22 bilhões, contra R$ 13,83 bilhões para a compra.
Já os depósitos de poupança registraram, segundo dados do Banco Central, retiradas da ordem de R$ 901 milhões. Ainda assim, a caderneta atingiu saldo de R$ 215,818 bilhões, com leve crescimento de 0,2%.
Segundo comunicado da Abecip, este resultado não constitui surpresa, pois "o primeiro mês do ano é caracterizado como um período em que os saques costumam superar os depósitos, devido aos gastos com festas de final de ano, pagamento de tributos, férias e despesas escolares", diz o texto da entidade.