Título: DEM apoiará candidato de Aécio em Minas
Autor: Felício , César
Fonte: Valor Econômico, 17/03/2009, Política, p. A7

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), irá se encontrar nesta quinta-feira com o presidente nacional do DEM, o deputado Rodrigo Maia (RJ), e a bancada mineira no partido. O encontro é uma deferência do DEM para com o governador mineiro, que disputa a candidatura presidencial do partido com o governador paulista, José Serra. Embora os integrantes da cúpula do DEM não escondam a preferência por Serra, o partido decidiu sinalizar que a aliança do próximo ano será com o PSDB, independente do candidato que o partido escolher.

O encontro também será um gesto para a primeira concessão do DEM ao governador mineiro: o partido deverá deixar claro que apoiará em 2010 o candidato escolhido por Aécio para sua própria sucessão. No grupo aecista, já está definido que o vice-governador Antonio Junho Anastasia, que irá assumir a função de titular em abril de 2010, com a desincompatibilização de Aécio para disputar a eleição para o Senado ou a presidencial, será o candidato do PSDB ao governo mineiro.

Ontem, antes de viajar para o Recife, Aécio Neves anunciou o encontro com Rodrigo Maia e demonstrou satisfação com a decisão do DEM de adotar publicamente uma posição de neutralidade diante da briga tucana. "Diferente daquilo que dava-se impressão anteriormente, eles aguardarão que o PSDB defina o seu candidato e não manifestam preferência enquanto partido. Acho que o DEM avança numa posição que me parece a mais correta: a responsabilidade da definição do candidato do PSDB é do PSDB. E os aliados, compreendendo isso, certamente fortalecerão em muito a decisão, qualquer que seja ela", afirmou, segundo transcrição da entrevista distribuída pela assessoria de imprensa.

Nesta entrevista, o governador elogiou a conduta de "extremo equilíbrio" do presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), e disse ter superado os mal-entendidos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em almoço na sexta-feira. E deu sua versão para os desentendimentos cuja versão pública teve início com a crítica de FHC à proposta de Aécio de viajar pelo país para discutir a realização de prévias no PSDB e desembocou na resposta do governador mineiro de que não seria possível construir um projeto para o Brasil a partir da Av. Paulista. - "Por mais bem intencionada que possa ser, uma declaração descontextualizada de um lado, leva a uma resposta de outro, o que não é adequado. O que nós buscamos fazer é tirar um pouco essas nossas divergências da imprensa, tratá-las - é natural que elas existam - internamente, e passarmos - como pretendemos fazer hoje - para a população uma sinalização de unidade do partido".

Aécio também falou do encontro de ontem no Recife e da ida, confirmada à ultima hora, do governador José Serra. Em quatro oportunidades, numa curta entrevista, o governador mineiro repetiu ter ficado feliz que o governador paulista tivesse aceito o convite que ele lhe fizera para ir ao Recife.

A programação começou às 17h30 de ontem com um evento partidário no Instituto Teotônio Vilela, prosseguiu com o lançamento do livro "Daquilo que eu sei - Tancredo e a transição democrática", do ex-ministro da Justiça, hoje presidente da Fundação Joaquim Nabuco, Fernando Lyra.

Serra e Aécio chegaram juntos, por volta das 19h30, ao shopping Paço Alfândega, no centro do Recife, onde aconteceu o lançamento do livro. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), já os esperava no Paço Alfândega, ao lado de Fernando Lyra.

Em seguida, o encontro com parlamentares e prefeitos, que havia sido pensado para se limitar aos tucanos, foi ampliado para os demais partidos de oposição. Foram convidados representantes do DEM e do PPS, assim como os líderes do PMDB de Pernambuco que não estão na ala governista. Confirmaram presença o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), o deputado federal Raul Henry (PMDB), o senador Marco Maciel (DEM) e o ex-governador de Pernambuco, Mendonça Filho (DEM).

Depois do encontro, estava previsto que todos seguiriam para um jantar na casa do senador Sérgio Guerra. A ideia de ampliar o encontro teve como objetivo demonstrar a existência de um projeto consistente de oposição ao PT e seus aliados federais. Havia também a expectativa, por parte dos aliados locais do PSDB, de se discutir a estratégia de enfrentamento do governador do Estado, Eduardo Campos, que disputará, com favoritismo, a reeleição em 2010.

Até a tarde de ontem ainda permanecia a dúvida se Aécio obedeceria a programação até o fim ou se aceitaria o convite do governador Eduardo Campos, para jantar no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo pernambucano.

Aécio disse que a programação devia ser vista como uma demonstração de que os tucanos não haviam se deixado dividir: "É um acordo de procedimentos daqui por diante, com o objetivo de estarmos todos juntos ao final. Eu diria que essa visita conjunta ao Recife, até pela importância, tradição do Estado, é um ótimo começo para esse nosso projeto". O governador paulista também pregou a unidade do partido durante toda a programação no Recife.