Título: Setor quer fortalecer Mercosul para os acordos
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 07/03/2005, Empresas &, p. B1

À véspera da data em que se espera que os governos do Brasil e da Argentina fechem um novo acordo automotivo no Mercosul, os dirigentes da indústria automobilística entendem que o fortalecimento do setor nos dois países é a melhor forma para negociar com outros blocos e, ainda, garantir a liberação de novos investimentos para a região. A última rodada do acordo automotivo estabeleceu o livre comércio entre os dois países a partir de 2006. Mas tudo indica que essa abertura será mais uma vez adiada. Desta vez, no entanto, o setor demonstra interesse também no fortalecimento da indústria nos dois países.

As propostas incluem ações dos governos, como incentivos fiscais. Simplesmente porque não há como convencer a indústria a deslocar investimentos para a Argentina sem garantias do fortalecimento do mercado interno. Em um momento em que se preparam novos acordos de intercâmbio comercial com outros continentes, como a União Européia, enfrentar essa negociação em bloco (Mercosul) é muito melhor, segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb. "Para brigar pelo espaço no mercado global é muito melhor que sejamos um bloco", destaca o executivo. "Nossas matrizes também nos preferem assim", completa Golfarb. A preocupação com o que pensam as matrizes das montadoras em relação a um bloco desequilibrado é outra questão que inquieta os dirigentes das montadoras. No entender do presidente da Anfavea, será mais difícil para o setor conseguir a liberação de novos investimentos, pelas matrizes se um dos dos lados estiver enfraquecido. Simplesmente porque essas multinacionais vêem a região como um todo. "Estaremos melhor equipados para atrair investimentos se a indústria estiver forte nos dois lados da fronteira", destaca Golfarb. Em 1995, Brasil e Argentina negociaram um acordo automotivo que previa o livre comércio entre os dois países a partir de 2000. Durante o período, as trocas comerciais dos produtos automotivos seriam feitas por meio de cotas, que se tornaram mais flexíveis ao longo do tempo. Desde então, no entanto, novas rodadas de negociação, muitas das quais cercadas de momentos de tensão, garantiram o adiamento dessa abertura de fronteiras. Na maior parte das vezes, a postergação foi feita por pressão dos argentinos. Agora, no entanto, o setor quer juntar forças para se fortalecer. (MO)