Título: Montadoras retomam investimento na Argentina
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 07/03/2005, Empresas &, p. B1
A Scania , que deixou de produzir caminhões na Argentina em meio à crise, em 2002, está em busca de uma área na região de Buenos Aires para construir uma fábrica, que retomará a produção de veículos da marca para o mercado doméstico ainda neste ano. A fábrica que a companhia sueca tem hoje em Tucumán, no norte do país, receberá investimento de US$ 20 milhões e será convertida em um centro de usinagem de peças de transmissão. O Brasil também ganhará com a decisão. A linha de produção de transmissões instalada em Tucumán, será transferida para São Bernardo do Campo (SP), a partir de 2007, segundo informou a companhia. Antes da crise, os caminhões Scania eram fabricados em Tucumán, onde há 550 empregados. A partir da suspensão da produção, a fábrica brasileira passou a abastecer o mercado argentino. Mas agora, com o aumento da demanda nos dois países, a capacidade de produção em São Bernardo começou a se esgotar, o que leva a montadora a retomar a produção no país vizinho. A empresa confirma as informações, mas não revela o investimento na nova unidade. A iniciativa da Scania se soma às de outras montadoras e indica que o setor automotivo, aos poucos, começa a prestar mais atenção nas possibilidades de investimento na Argentina. Na semana passada, a Toyota , lançou o veículo que a levou a investir US$ 200 milhões na fábrica de Zárate (região portuária argentina) e anunciou um adicional de US$ 20 milhões para transferir, em 2006, parte da produção de peças estampadas do Brasil para unidade argentina. "Com o aumento da produção, a fábrica brasileira precisará da capacidade hoje dedicada à produção para a Argentina", explica o vice-presidente da Toyota Mercosul, Luis Carlos Andrade Júnior. Ao contrário de outras empresas do setor, a Toyota nunca deixou de apostar na operação argentina. Segundo Andrade, com a crise, a empresa tinha que escolher entre continuar investindo na unidade ou fecha-la. "Mas a Toyota nunca fechou nenhuma fábrica no mundo porque não faz parte da cultura da companhia", explica o executivo. A Volkswagen se prepara para produzir novo modelo na fábrica de General Pacheco, província de Buenos Aires, a partir de 2006. Com investimento de US$ 100 milhões, o carro será uma versão derivada do Fox montado no Paraná. Outra montadora que volta a investir na Argentina é a Peugeot. Numa estratégia de distribuição da produção na América do Sul por linhas de montagem, a empresa francesa decidiu concentrar no Brasil a família dos carros compactos, o modelo 206, e ter no outro lado da fronteira a linha de produção do 307, um modelo maior e mais caro. A Ford também manteve a distribuição de produtos entre os dois países, apesar da crise. Já a fábrica da Fiat, em Córdoba, já faz mais de três anos que não produz um único veículo. A unidade se dedica hoje à fabricação de motores. A General Motors fechou uma das duas fábricas argentinas durante a crise e hoje mantém naquele país a produção do modelo antigo do Corsa. Mas a recuperação do mercado argentino também elevou a exportação das montadoras no Brasil. A DaimlerChrysler, que produz a van Sprinter na Argentina, registrou um aumento de 177% nas exportações de caminhões e ônibus do Brasil para o país vizinho em 2004. Em 2002, quando a Argentina desistiu da paridade cambial com o dólar, foram vendidos no país 82 mil veículos. No ano passado, foram vendidos 290 mil veículos e para este ano as previsões oscilam entre 310 a 340 mil unidades. O auge foi em 1994, com a venda de 508 mil unidades.