Título: Só emprego segura rombo da Previdência
Autor: Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 20/01/2010, Economia, p. 11

Deficit no INSS vai a R$ 43,6 bi e exige aumento de arrecadação

A Previdência Social vai ter que contar com um aumento excepcional do emprego e da renda dos trabalhadores em 2010 para conseguir evitar a elevação do deficit este ano. ¿O crescimento da economia não basta, se ele não for acompanhado do aumento do emprego e da massa salarial¿, avalia o ex-ministro da Previdência Social, José Cechin. Para repetir o rombo registrado em 2009, de R$ 43,6 bilhões em termos reais, Cechin acredita que a previdência terá que conseguir repetir a evolução da arrecadação de 2008. Naquele ano, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou um crescimento real de 10% na arrecadação. No ano passado, com a crise afetando fortemente o emprego nos primeiros meses do ano, a arrecadação cresceu pouco mais de 6%.

Os dados da Previdência Social foram divulgados ontem pelo secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer. Segundo ele, o resultado de 2009 foi fortemente impactado pelo aumento do salário mínimo. Daí o crescimento de 12,6% em relação ao ano anterior. De 2007 para 2008, com o crescimento recorde da arrecadação, o rombo caiu significativamente, baixando de R$ 51 bilhões para R$ 38,7 bilhões. Repetir essa performance, no entanto, não será fácil e nem o secretário se arrisca a fazer projeções. Schwarzer conta com as boas perspectivas para 2010 para que a Previdência Social possa, pelo menos, manter as contas estabilizadas no atual patamar.

Extras De acordo com Cechin, mesmo para manter o deficit, a Previdência precisará contar com um crescimento real da arrecadação parecido com o ocorrido em 2008. Isso porque a despesa já está dada. O crescimento das aposentadorias e pensões ficará em torno de 3,5% ao ano, cerca de R$ 8 bilhões a mais. Além disso, vem pela frente mais R$ 11 bilhões de despesas extras, proporcionadas pelo aumento do salário mínimo de R$ 465 para R$ 510 e pelo aumento real dos benefícios acima do mínimo. Só para cobrir essa diferença e segurar o rombo, o INSS terá que aumentar sua arrecadação em 10%.

Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, a Previdência estima para 2009 um deficit da ordem de 1,41% ¿ 0,11 ponto percentual acima da relação INSS/PIB verificada em 2008. A deterioração das contas é mais visível no setor rural, de baixa capacidade contributiva. Os preços agrícolas, em queda no ano passado, contribuíram para diminuir ainda mais a arrecadação do setor, que caiu de R$ 5,3 bilhões em 2008 para R$ 4,6 bilhões no ano passado. A despesa com o pagamento de benefícios rurais, no entanto, inflada pelo aumento do salário mínimo, continuou aumentando ¿ passou de R$ 42,5 bilhões em 2008 para R$ 45,5 bilhões em 2009.