Título: Atlas conclui investimento em meio à crise
Autor: Jurgenfeld , Vanessa
Fonte: Valor Econômico, 13/04/2009, Empresas, p. B8

A Atlas Transportes e Logística, sediada em São Paulo, vai expandir suas operações neste ano com novos investimentos na região de Sumaré, no interior de São Paulo, e em Joinville, em Santa Catarina. Os recursos chegarão a R$ 11,5 milhões, praticamente metade do que foi investido pela empresa em 2008.

O presidente da Atlas, Francisco Martim Megale, disse que apesar da crise econômica mundial, não houve necessidade de cancelamento dos investimentos previstos porque a empresa está capitalizada, ainda que tenha sentido nos últimos meses redução de demanda dos clientes para transporte de cargas.

Em Sumaré, será construído um terminal de cargas de 8 mil metros quadrados, com investimentos de R$ 10 milhões, sendo 30% capital próprio e 70% financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Já em Joinville a empresa terá um novo prédio para sua filial no sistema "buid-to-suit", em que o investidor viabiliza o empreendimento imobiliário segundo os interesses do locador, que irá utilizá-lo por um período pré-estabelecido. Em Joinville, a expansão envolve R$ 1,5 milhão para a filial dobrar de tamanho.

Os investimentos são menores do que os R$ 24 milhões de 2008 porque, conforme Megale, trata-se da conclusão de um plano de expansão que teve início ainda em 2007 e cujas aplicações mais robustas ocorreram em 2008, quando houve implantação de um terminal de cargas em Guarulhos, com investimentos total de R$ 7 milhões, e aumento da frota da empresa com a compra de mais 140 carretas, investindo R$ 10 milhões. Atualmente a empresa tem 1,6 mil caminhões. "Com a conclusão desses investimentos, teremos capacidade de atender a demanda esperada até 2010", explicou Megale.

Segundo o executivo, membro da terceira geração da família fundadora da Atlas, não são setores industriais específicos da economia dessas regiões que justificam os investimentos, mas sim os planos gerais da empresa para este ano, que envolvem aumento de participação em cima de concorrentes, com uma atividade comercial "mais agressiva". "Este mercado (de transportes e logística) é pulverizado e tem potencial a ser explorado", afirmou, sem revelar detalhes.

Ainda que a crise não tenha afetado o cronograma de expansão e não seja o motivo para um volume menor de investimentos, a direção da Atlas decidiu recentemente rever a projeção de crescimento deste ano da divisão de transportes, de 18% para 10% sobre 2008. A empresa mantém, no entanto, um incremento esperado de 85% na divisão de logística, voltada à armazenagem e gestão de estoques.

"Tradicionalmente, todo início de ano são meses mais fracos para os negócios. Tivemos em janeiro e fevereiro uma queda de demanda e em março houve uma melhora, mas não uma reação nos patamares que esperávamos", disse. Em março, a empresa teve resultado 15% abaixo do previsto.

Embora a área de transportes sofra o impacto negativo da crise, com redução das receitas dos clientes, Megale espera que a divisão de logística seja beneficiada pelo cenário mais difícil, uma vez que muitas empresas podem optar por cortar custos de logística, preferindo a terceirização. "Existe uma tendência de mercado", diz o executivo, afirmando que a terceirização ganha espaço neste momento por transformar o que era custo fixo para uma empresa em custo variável, podendo economizar na sua estrutura física própria de armazenagem e de frota.

A divisão de transportes cresceu 18% em 2008 e a de logística 50%, elevando o faturamento da Atlas para R$ 390 milhões. De acordo com Megale, o resultado operacional foi na ordem de 7,5% em relação ao faturamento. A empresa pretende aumentar seu faturamento em 2009 para R$ 430 milhões.

A Atlas não reduziu seu quadro de funcionários diretos por conta da crise, mantendo cerca de 2,6 mil trabalhadores. No entanto, também não está realizando novas contratações e no fim do ano dispensou 15% da mão de obra terceirizada, que era de 3 mil pessoas.