Título: Bendine promete BB mais agressivo no crédito
Autor: Ribeiro , Alex
Fonte: Valor Econômico, 14/04/2009, Finanças, p. C3
O futuro presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, disse ontem, durante teleconferência com analistas do mercado financeiro, que o banco irá adotar uma postura mais agressiva de expansão de crédito e de redução dos "spreads" bancários, mas sem abandonar os princípios de responsabilidade e transparência. "Nada muda nas premissas que norteiam nossa política de avaliação de risco e concessão de crédito", afirmou Bendine.
A conversa com os analistas foi uma iniciativa para acalmar os mercados, que, na semana passada, provocaram uma desvalorização de 11% nas ações do BB. Os investidores temem ingerências políticas na administração do banco, depois que foi anunciada a demissão do atual presidente, Antonio Francisco Lima Neto, e a nomeação de Bendine, que é vice-presidente de novos negócios e cartões. Ontem, os papéis do BB subiram 0,17%, ante um Ibovespa que aumentou 1%. A ação terminou o dia cotada em R$ 16,89.
Bendine, que assume o cargo no dia 23 de abril, após Antonio Francisco Lima Neto completar um período de transição no cargo, disse na teleconferência que estão mantidas as metas do banco para 2009, que foram estabelecidas na divulgação do balanço do ano passado. A meta desse ano é um retorno sobre o patrimônio líquido recorrente entre 23% e 27%, em linha com os 24,7% de 2008.
Um dos objetivos mais importantes, reafirmado por Bendine na teleconferência de ontem, é atingir um "spread" global bruto entre 6,8% e 7,2%. Esse indicador, que mede a diferença entre os custos gerais de captação do banco e as suas receitas com a aplicação dos recursos, foi de 7,1% em 2008. É uma meta-chave porque está diretamente vinculada aos juros cobrados pelo banco no crédito. Quanto menores os juros, menor o "spread" global bruto do BB.
Na teleconferência, o futuro presidente do BB disse que o resultado do banco depende não apenas das margens das operações de crédito, mas também dos volumes. "Ao ser mais agressivo, é natural que a gente conquiste novos clientes e amplie a nossa participação no crédito, produzindo mais resultado para o banco", afirmou Bendine.
Ele também disse que há oportunidades para ampliar as receitas do banco em outras áreas de negócio, como cartões e seguridade. "A contribuição da seguridade para nosso resultado é menor do que em outros bancos privados de porte semelhante", afirmou. Segundo Bendine, o BB deu um passo importante nessa direção quando comprou a participação detida pela Aliança da Bahia na Aliança do Brasil, sua empresa de seguros de vida e ramos elementares. Também foi mantida a meta de expansão entre 5% e 8% nas receitas com prestação de serviços.
O futuro presidente do BB reafirmou, também, os planos do banco federal em promover uma expansão entre 13% e 17% na carteira de crédito do banco em 2009. Com isso, segundo anunciou o novo presidente, o BB não deverá se desviar de seu propósito de crescer ligeiramente acima da média de mercado. A projeção do Banco Central é que o crédito do sistema financeiro tenha uma expansão de 14% neste ano.
Bendine ressaltou, entretanto, que essa meta de expansão da carteira de crédito será ajustada de acordo com as condições macroeconômicas. Ou seja, caso o cenário se mostre mais favorável, a expansão poderá ser maior do que o planejado. Se o ambiente econômico ficar mais hostil que o previsto, a expansão do crédito será mais comedida.
As metas definidas pelo BB para 2009, disse Bendine, são compatíveis com o plano de gestão que o banco irá assinar com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, ficou acertado com o ministro uma atuação mais agressiva na expansão da carteira de crédito e na redução das taxas básicas de juros.
"O governo está ciente de que o banco é uma bela ferramenta para o desenvolvimento econômico neste ano, respeitando o cenário macroeconômico que estiver vigente no momento", afirmou o presidente do BB. "Meu compromisso ao aceitar a presidência do BB foi manter nosso crescimento sustentado, com responsabilidade, qualidade e alto grau de transparência."