Título: Maior dilema de executivos é gerir para o longo prazo
Autor: Vieira, Catherine
Fonte: Valor Econômico, 17/04/2009, Brasil, p. A6

Uso do caixa próprio, queda no apetite por aquisições e temor de ter de adiar ou enxugar os planos de expansão. Essas são algumas das preocupações na cabeça dos executivos sul-americanos no momento, segundo pesquisa apresentada ontem, no Fórum Econômico Mundial para a América Latina, pela PriceWaterhouseCoopers (PwC). O estudo foi conduzido no fim do ano passado, fase em que a crise já tinha se agravado, com quase 200 executivos-chefes (CEOs, na sigla em inglês) de empresas da América do Sul, sendo 50 deles brasileiros. Cerca de 80% das empresas apontaram que pretendem usar o próprio caixa para financiar projetos e temem que o aumento do custo de obter recursos afete o ritmo de crescimento dos negócios, sendo que 78% do total admite que pode ter de adiar esses planos.

A confiança dos executivos naturalmente caiu da pesquisa do ano anterior para este. Em 2008, cerca de 53% tinham muita confiança nas perspectivas de crescimento para doze meses, sendo que em 2009, apenas 22% acreditam nisso. Segundo o sócio da Price, Henrique Luz, esses números refletem a média das opiniões, mas este ano, o sexto em que a pesquisa é realizada, ampliou-se a distância entre o pessimismo dos argentinos e o otimismo dos brasileiros.

De acordo com o trabalho, para os próximos três anos, por exemplo, 52% dos brasileiros apontam muita confiança, sendo que a média registra 30%. De acordo com a pesquisa, isso se deve a uma soma de fatores positivos relacionados ao Brasil: o sistema financeiro sólido, a parcela não tão significativa das exportações no PIB e o contínuo processo de inclusão no consumo pela internet, que tem movido a economia.

Para Luz, a pesquisa deste ano demonstrou de forma muito clara que o principal dilema dos executivos é tentar coordenar as ações de longo prazo, que vão garantir a perenidade dos negócios, com os desafios de curto prazo impostos pela crise global. Ele observa que esta é uma preocupação mundial, verificada também nos outros continentes, nos quais a PwC também realizou a pesquisa.

A ampliação das fatias nos mercados em que já atuam foi apontada pelos empresários como a principal estratégia de expansão dos negócios. Nesta pesquisa, 45% dos CEOs da América do Sul pretendem focar nisso, sendo que no ano anterior, esse índice era de apenas 25%. Também caiu, de 20% para 10% o percentual dos que planejam a entrada em novos mercados. As fusões e aquisições transnacionais estão no horizonte deste ano apenas para 21% dos entrevistados.

Uma notícia que pode ser boa é que a atração e a retenção de talentos considerados chave para a companhia foram apontados por 97% dos entrevistados como a vantagem competitiva mais importante para a sustentabilidade dos negócios. "É um dado muito interessante que, mesmo num momento de crise, os executivos ainda acreditam que este seja o fator mais relevante", disse o sócio da PwC.

Outros fatores considerados igualmente importantes são força e a reputação da marca e a capacidade de adaptação a mudanças. Na outra ponta, a ruptura nos mercados de capitais também representava um temor para 72% deles