Título: Emprego industrial deve melhorar
Autor: Bancillon, Deco
Fonte: Correio Braziliense, 22/01/2010, Economia, p. 12

A consolidação da retomada da indústria vai proporcionar ganhos para patrões e trabalhadores. A análise é do gerente de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, que avaliou que os recentes resultados de indicadores de horas trabalhadas e de emprego industrial tendem a produzir um novo momento na área de geração de empregos para o setor.

Entre setembro e novembro, o volume de horas trabalhadas na produção se expandiu 4,5%, segundo a sondagem industrial da CNI. Proporcionalmente, equivale a uma alta de 1,5% ao mês, o melhor resultado desde o pré-crise. Esse número ajuda a explicar o otimismo acerca do emprego. Normalmente, antes de efetivar um funcionário, o empresário tende a expandir as horas trabalhadas implementando turnos a mais de trabalho. A contratação é o segundo passo.

E ela já começou a dar sinais de força ainda em 2009. Em novembro, o emprego industrial variou positivamente em 0,8% ante outubro. Foi a quarta alta consecutiva do indicador, e o melhor resultado proporcional desde março de 2004. Frente a novembro de 2008, porém, verificou-se uma inflexão de 2,7%. Isso ocorre devido à crise econômica.

Se o emprego mostrou reação, o mesmo não se pode dizer dos resultados gerais da indústria. As quedas de faturamento das empresas, da massa salarial e da utilização da capacidade instalada (UCI) ¿ sinalizador de limite de produção ¿ foram extremamente fortes após outubro de 2008, o último mês de uma arrancada histórica de produção no Brasil. Dali para a frente, até meados de 2009, houve perdas parcas em todas as variáveis. Todas refletiam a falta mundial de consumo e a incerteza que abalava empresários.

A consequência foi uma queda brutal da taxa de utilização da capacidade instalada. O indicador que chegou a marcar 84,5% em outubro de 2008 acabou sendo jogado para 76,3% em janeiro de 2009, uma redução de 8,2 pontos percentuais, algo que viria a ser o prenúncio de interrupção dos investimentos para aumento da produção. ¿Hoje, a realidade é outra. A UCI já chegou a 82,7% e continua crescendo, mas de maneira sustentável. E outra boa notícia é que os investimentos estão voltando¿, pontua o economista da CNI.