Título: Mercado financeiro reduz estimativa de queda do PIB
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 05/05/2009, Brasil, p. A2
O mercado financeiro melhorou as suas projeções para o crescimento da economia, mas está um pouco menos otimista sobre a evolução da inflação, mostra a pesquisa de expectativas feita pelo Banco Central com cerca de cem analistas econômicos.
Agora, os economistas do setor privado esperam uma retração de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, ante retração de 0,39% projetada uma semana antes. Foi uma melhora pequena, numa projeção que segue no campo negativo, mas foi a segunda revisão seguida para cima nas expectativas. Duas semanas atrás, os analistas do mercado financeiro esperavam uma retração de 0,49%.
Ao mesmo tempo em que as projeções para o PIB se tornam um pouco menos sombrias, o mercado revê as estimativas para a inflação. O Índice de Preços ao Consumidor - Amplo (IPCA) esperado para 2010 teve uma ligeira alta, passando de 4,3% para 4,32% em uma semana.
A inflação esperada para o próximo ano continua abaixo da meta, fixada em 4,5%, e está bem abaixo dos 4,46% esperados há um mês. Mas foi a primeira piora nas projeções em quatro semanas. A inflação de 2010 é o alvo central da política monetária nos próximos meses, já que altas e baixas de juros levam cerca de nove meses para afetar os índices de preços.
Os analistas econômicos preveem, segundo a pesquisa do Banco Central, um corte de juros de 0,75 ponto percentual (pp.) em junho, dos atuais 10,25% para 9,5% ao ano. Em julho, haveria um novo corte, de 0,25 ponto percentual, que faria a taxa básica cair a 9,25% ao ano. Os juros permaneceriam nesse patamar até o fim do ano.
Os analistas econômicos também pioraram suas projeções para a evolução da dívida líquida do setor público. Agora, a expectativa é que o indicador termine o ano em 37,45% do PIB, acima dos 37,17% do PIB projetados uma semana antes. A piora ocorre depois de o governo ter anunciado a redução, de 3,8% para 1,5% do PIB em 2008. Se as projeções do mercado estiverem correntes, a dívida líquida vai aumentar em relação aos 36% do PIB observados em 2008.
O mercado financeiro passou também a projetar uma taxa de câmbio mais baixa. Agora, a projeção mediana é uma cotação de R$ 2,20 no fim do ano, abaixo dos R$ 2,25 antes projetados. As projeções para a taxa de câmbio em 2010 recuaram de R$ 2,27 para R$ 2,25 em uma semana.