Título: Faturamento sobe e emprego cai na indústria
Autor: Galvão, Arnaldo
Fonte: Valor Econômico, 08/05/2009, Brasil, p. A5
A indústria teve, em março, leves aumentos nas vendas e na utilização da capacidade instalada em relação ao desempenho verificado em fevereiro, mas ainda não é possível concluir que há um movimento consistente de recuperação, segundo análise do economista chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Os indicadores industriais de março, apurados pela CNI, mostraram, na comparação com fevereiro, tênue recuperação no faturamento (2,9%) e elevação da utilização da capacidade instalada (UCI), de 78,2% para 78,7%, na série com ajuste sazonal. Em março de 2008, a UCI estava em 83%. A comparação dos primeiros trimestres de 2009 e 2008 ainda revela, para este ano, fortes quedas nas vendas (7,6%), na atividade (7,4%) e no emprego (1,4%).
Para Castelo Branco, ainda está ocorrendo ajuste de estoques. Ele ressaltou que as horas trabalhadas, indicador que mostra a atividade da indústria, e o emprego continuaram caindo em relação a fevereiro. Na visão dele, o segundo trimestre é um período de "transição". "Deixamos de piorar. O conjunto dos indicadores ainda deve continuar oscilando neste trimestre, mas uma recuperação moderada deve acontecer somente no segundo semestre", avaliou.
O crescimento de 2,9% no faturamento de março sobre fevereiro, foi o segundo crescimento mensal seguido, mas o confronto com março de 2008 mostrou queda de 1,6%. A CNI apurou que a média do faturamento no primeiro trimestre ainda é 3,4% menor que a registrada no último trimestre do ano passado. Na análise setorial, a comparação com março de 2008 revelou que as piores reduções foram em metalurgia básica (35,2%), madeira (20,5%), edição e impressão (14,8%), químicos (13,6%) e borracha e plástico (11,6%).
Nas horas trabalhadas, março teve a segunda queda mensal seguida e a média do primeiro trimestre foi 5,6% menor que a do quarto trimestre de 2008. Comparando o desempenho de março de 2009 com março do ano passado, as principais reduções na atividade foram nas indústrias de madeira (28%), máquinas e equipamentos (18,5%), veículos automotores (15,7%), couros e calçados (11,2%) e metalurgia básica (11,1%).
O emprego industrial teve, em março, sua quinta queda consecutiva e a CNI ressaltou que a média dos primeiros três meses de 2008 ficou 2,6% abaixo da apurada em outubro, novembro e dezembro do ano passado. Os piores desempenhos de março, em relação ao emprego de março de 2008, foram para madeira (-18,8%), material elétrico e de comunicação (-13,9%), confecção e vestuário (-8,9%), couro e calçados (-8,7%), veículos automotores (-7,4%) e máquinas e equipamentos (-6,4%).
A massa salarial real teve sua primeira queda mensal, em março, desde janeiro de 2007. A comparação é com março de 2008. Houve recuo de 1,8% sobre fevereiro. Com relação à utilização da capacidade instalada, março interrompeu cinco meses de queda seguidas. Mas a média do primeiro trimestre ainda está 2,6 pontos percentuais abaixo da média do último trimestre de 2008. Na comparação dos meses de março, as maiores quedas de UCI foram para metalurgia básica, refino e álcool , madeira e veículos automotores.