Título: Sinais para o segundo trimestre são positivos, diz diretor do BC
Autor: Grabois, Ana Paula
Fonte: Valor Econômico, 08/05/2009, Finanças, p. C2
O Brasil segue em recuperação econômica gradual, mas não deve voltar a ter ritmo de crescimento similar ao observado no período anterior à crise econômica, sugeriu ontem o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Mário Mesquita. Diante do novo contexto econômico mundial, o diretor do BC argumenta que a atual escassez de financiamento externo não daria sustentação ao possível crescimento do déficit em conta corrente se a demanda interna voltar a crescer na velocidade que tinha antes da crise.
"O crescimento da economia brasileira no período pré-crise era marcado pela expansão muito intensa da atividade e da demanda. A contribuição da demanda doméstica para o crescimento era bastante forte. Não devemos ver aquela trajetória necessariamente como sustentável. Existiam vários elementos que causavam preocupação. Não sei se é altamente provável que a gente volte para aquele ritmo de atividade nem se seria totalmente adequado nas atuais circunstâncias e na atual conjuntura da economia mundial", afirmou Mesquita, após proferir palestra no escritório do BC no Rio.
"Naquela época", continuou, "o déficit em conta corrente se expandia em ritmo muito forte e para ter um déficit em conta corrente elevado, é preciso ter financiamento externo elevado. A economia mundial mudou bastante desde o início da crise".
Para o diretor do BC, o piso da crise ficou na virada de 2008 para 2009 e os sinais para o segundo trimestre são positivos, mas apontam para uma recuperação gradual. Mesquita não quis opinar sobre se o país saiu da recessão técnica ocorrida do quarto trimestre de 2008 para o primeiro de 2009, conforme mostraram os dados da indústria divulgados nesta semana pelo IBGE. "Não temos indicadores do segundo trimestre, mas os indicadores na margem, iniciando o segundo trimestre, são mais favoráveis do que os indicadores que tínhamos quando o primeiro trimestre estava se iniciando", disse.
O diretor do BC ressaltou ainda que o segundo trimestre não terá o mesmo impacto do carregamento estatístico negativo verificado do quarto trimestre para o primeiro trimestre de 2009.
Mesquita negou que o fato de o BC ter zerado as posições de swap reverso no mercado de câmbio, conforme informado pelo presidente da instituição, Henrique Meirelles, quarta-feira, tenha tido como objetivo segurar o real e ajudar os exportadores. "Nosso objetivo é ajudar a economia brasileira como um todo sem privilegiar setores específicos. Nós não temos políticas setoriais", disse Mesquita