Título: Lucro do BB cai 29,1% no primeiro trimestre e alcança R$ 1,655 bilhão
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 15/05/2009, Finanças, p. C2

O lucro do Banco do Brasil somou R$ 1,655 bilhão no primeiro trimestre, queda de 29,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo as demonstrações financeiras divulgadas ontem pela instituição. O resultado mais fraco se deve, sobretudo, ao aumento das provisões para inadimplência e à queda da taxa Selic, que reduziu o rendimento da carteira de titulos públicos. Não há, pelo menos por enquanto, sinais de que a pressão do governo para o banco cortar juros e aumentar crédito tenha prejudicado o desempenho financeiro.

O indicador mais adequado para acompanhar o desempenho do BB é o chamado resultado recorrente, ou seja, aquele que tende a se repetir nos próximos trimestres. Ele corresponde ao lucro menos fatores extraordinários, como ativação de créditos tributários e provisões extraordinárias. O lucro recorrente somou R$ 1,357 bilhão no primeiro trimestre, 12,9% inferior ao ocorrido em igual período de 2008.

O resultado recorrente equivale a 19,1% do patrimônio líquido, menor do que os 27,4% observados no primeiro trimestre de 2008 e que os 24,5% ocorridos no último trimestre de 2008. A redução, porém, já era esperada, em função dos impactos da crise financeira sobre a indústria bancária. A meta do BB é que o resultado recorrente fique entre 19% e 22% do patrimônio em 2009.

Os dados do balanço indicam que a queda no resultado recorrente não tem nada a ver como corte de juros e aumento de volume de crédito - política defendida pelo governo para manter o funcionamento da economia em meio à crise financeira mundial. O BB cortou o "spread", mas ampliou a sua margem bruta em função da expansão do crédito.

O BB cortou o "spread" nos empréstimos apenas ligeiramente, de 9,8% para 9,7%. Essa pequena queda foi mais do que compensada pelo aumento da carteira de crédito, que teve expansão de 1,6% no primeiro trimestre, em relação a dezembro. A margem bruta das operações de crédito subiu 4,1%, passando de R$ 4,725 bilhões para R$ 4,919 bilhões entre o último trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2009.

Mesmo no crédito a pessoas físicas, em que a corte de "spreads" foi mais intenso, o BB manteve a margem, graças ao aumento do volume. O "spread" médio nas operações a pessoas físicas caiu de 21,6% para 20,5% entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. A carteira de crédito a pessoas físicas cresceu 5,6% entre dezembro e março. A combinação desses dois fatores levou ao aumento de 4,1% na margem bruta do crédito a pessoas físicas, que passou de R$ 4,725 bilhões para R$ 4,919 bilhões no período. Por razões semelhantes, a margem bruta cresceu também no crédito a empresas (5,5%) e no agronegócio (7,3%).

Apesar do aumento da margem bruta do crédito, a margem bruta total caiu 1,3% entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. A explicação é a redução das receitas com títulos públicos. "A queda da Selic reduziu as receitas de tesouraria", diz o gerente de relações com investidores do BB, Marco Geovanne Tobias. Mas o principal fator por trás da queda do resultado recorrente do BB é o aumento das provisões para devedores duvidosos. Essa despesa somou R$ 2,491 bilhões no primeiro trimestre de 2009, alta de 11,2% em relação ao período imediatamente anterior. O BB constituiu mais provisões em virtude do aumento da inadimplência a pessoas jurídicas, que passou de 1,7% para 2,6% entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. O BB não está sozinho: o sistema financeiro como um todo registrou um aumento de inadimplência de 1,8% para 2,6% no período.

Geovanne explica que o aumento da inadimplência de pessoas jurídicas tem sido puxada principalmente pelas pequenas e microempresas. A estimativa do BB é que, dentro do banco, o indicador chegue perto de 4% no fim do ano. Caso esse cenário se confirme, o impacto tende a ser relevante, pois a carteira de crédito a empresas é de R$ 98,540 bilhões. Uma boa surpresa do balanço é o aumento do chamado índice de Basileia, que chegou a 15% no primeiro trimestre. Havia a expectativa que, em virtude da compra da Nossa Caixa e da expansão das atividades, esse percentual chegasse próximo do mínimo legal, de 11%, o que poderia se constituir um limitador para ampliar a carteira de crédito. O BB informa, porém, que fez uma emissão privada de dívida subordinada, no valor de R$ 2,613 bilhões, que engordou o índice de Basileia. Nesse trimestre, diz o balanço, deverá haver uma queda de 0,9 ponto percentual no índice de Basileia em função da aquisição de metade do capital do banco Votorantim. Mesmo assim, o percentual dá conforto para expandir a carteira de crédito.

Com a compra do Votorantim, que ainda não foi incorporado formalmente no balanço do BB, os ativos totais do banco federal sobrem a R$ 633,728 bilhões. Com isso, o BB retoma a liderança do mercado. O Itau Unibanco administra ativos totais de R$ 618,9 bilhões.