Título: Ipea reduz para 3,5% projeção de alta do PIB
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 09/03/2005, Brasil, p. A5

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reduziu de 3,8% para 3,5% sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2005 por conta da alta da Selic. A economia cresceu 5,2% no ano passado. Paulo Levy, diretor de macroeconomia do Ipea/Rio atribui a revisão do PIB para baixo a uma expectativa de alta maior do juro básico este ano. "A política monetária deve ficar mais apertada do que a gente antecipava", afirmou. Na sua avaliação, esse cenário pode ocorrer porque o Banco Central estará preocupado em estancar uma ameaça de inflação de demanda decorrente do aumento da oferta de crédito e da renda do trabalho. Ele destacou que esses fatores ficam agravados pela implementação de uma política fiscal que vem se caracterizando por aumento de receita e gastos na mesma proporção, com impacto expansionista sobre a demanda. "Para equilibrar esse quadro, que poderá levar a um crescimento da relação dívida/PIB para a casa dos 52%, seria bom que se pensasse num aumento da meta de superávit primário."

As novas projeções da Selic, refeitas para cima pelo Ipea apontam para uma taxa média/ano nominal de juro básico de 18,3% e para 12,2% real, conforme divulgou no Boletim de Conjuntura de março, divulgado ontem. No Boletim de dezembro, o Ipea trabalhava com uma Selic menor para 2005, da ordem de 17,1% nominais na média/ano e 10,9% reais. Em 2004, o juro básico da economia fechou em 16,3% na média ano nominal e em 8% real. Levy espera, porém, que o juro básico comece a declinar gradualmente a partir de agosto, depois de ter cravado 19% nominais em março. Ele projeta para a próxima reunião do Copom uma alta de 0,25 ponto percentual para a Selic, a última do ano. No segundo trimestre, estima que a taxa vá se manter estável. Outro fator mencionado por ele, que influiu também na mudança para baixo da taxa de crescimento do PIB/2005, foi a redução do "carry over" do PIB trimestral do quarto trimestre do ano para 0,1%. Com base num PIB de 3,5% este ano, os setores da economia deverão também contribuir menos que em 2004 para o desempenho econômico, à exceção do consumo das famílias, do consumo do governo e das importações, que manterão performances parecidas com as de 2004. Do lado da oferta, o setor agropecuário vai contribuir para o PIB com 4,1%, a indústria com 4,7%, e o setor de serviços, com 2,4%. Do lado da demanda, o consumo das famílias aumenta 4,3%, ficando estável em relação a 2004; o consumo do governo mantém alta de 0,7%, a mesma taxa de 2004; a formação bruta de capital fixo (investimento fixo) cresce 8,3% (10,9% em 2004), as exportações, 10,2% (18% em 2004) e as importações, 18,9% (14,3% em 2004).