Título: Mesmo na crise, 316 mil deixaram pobreza, aponta Ipea
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Fonte: Valor Econômico, 20/05/2009, Brasil, p. A2

Apesar da atual crise econômica global, cerca de 316 mil brasileiros saíram da linha da pobreza entre outubro do ano passado e março deste ano, segundo estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo a pesquisa, nesses seis meses, 315.921 brasileiros deixaram a condição de pobreza nas seis maiores regiões metropolitanas do país --São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.

Pelos critérios do Ipea, órgão ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, está abaixo da linha da pobreza quem tem rendimento domiciliar per capita menor que meio salário mínimo. Segundo o Ipea, a taxa de pobreza nessas seis regiões em março deste ano ficou em 30,7%, 1,7 ponto percentual menor que a registrada em março do ano passado, o que representa uma redução de 670 mil pessoas na condição de pobreza.

" Pela primeira vez na história do país, o pobre não está pagando a conta numa crise " , disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que participou da divulgação do estudo. Para o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, a redução da pobreza durante a atual crise se deve à adoção de políticas anticíclicas pelo governo. Como exemplos, ele citou a ampliação de programas de transferência de renda e o reajuste neste ano de 12% no salário mínimo, referência para a maior parte dos benefícios concedidos pela Previdência Social.

" De 1980 para cá essa é a primeira vez que estamos enfrentado a crise com políticas keynesianas " , disse Pochmann a jornalistas. " Nas crises anteriores em vez de se ter políticas anticíclicas, nós aumentávamos os juros, reduzíamos os gastos, reduzíamos os investimentos e o salário mínimo não crescia " , acrescentou Pochmann, ao ressaltar que 35% da população brasileira tem renda garantida independente do mercado de trabalho.

De acordo com o Ipea, em outras crises, o contingente de pobres aumentou. Entre 1998 e 1999, por exemplo, o número de pobres avançou no Brasil em 1,9 milhão.