Título: Ministro quer produção de carro elétrico nacional
Autor: Santos , Chico
Fonte: Valor Econômico, 21/05/2009, Brasil, p. A3
O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, disse ontem que o governo está mobilizando fabricantes de baterias, de motores elétricos, fabricantes de automóveis e pesquisadores para agilizar o desenvolvimento de tecnologia para a fabricação do carro elétrico nacional. Na terça-feira, ele estará reunido, em São Paulo, com representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e com os demais setores interessados para definir uma estratégia que permita ao Brasil manter-se alinhado com as pesquisas de ponta para se chegar a um carro elétrico competitivo em preço e desempenho.
"É relativamente fácil fazer carros elétricos. Temos fabricantes de motores e de baterias. Estou mobilizando (os setores envolvidos) para que possamos desenvolver o projeto de um carro elétrico nacional", disse após fazer palestra no 21º Fórum Nacional, no Rio. Questionado sobre se havia a hipótese de criação de uma empresa estatal com o objetivo de desenvolver o projeto, Rezende rejeitou.
"Não é o caso de criar uma estatal para fazer veículos. Temos um empresariado consciente da necessidade de inovar, de desenvolver tecnologia para ser competitivo. Vamos fazer com o setor privado", disse. O ministro disse que, no mundo inteiro, o problema não é fazer um carro elétrico, mas torná-lo competitivo, dada a dificuldade para o desenvolvimento de baterias adequadas. "O importante é não ficarmos para trás."
Na palestra que fez sobre o uso de energias alternativas para propulsionar veículos, Rezende relacionou as vantagens e desvantagens das baterias. Destacou que as mais comuns atualmente em desenvolvimento precisam ser recarregadas em uma tomada elétrica, ou seja, acabam usando energia de uma fonte que pode ser poluidora.
A bateria de hidrogênio, que seria a fonte mais limpa, porque produz energia diretamente na reação eletroquímica e gera como subproduto a água, ainda tem custo de produção e de logística (transporte e armazenagem) muito altos, precisando de investimentos pesados no desenvolvimento.
Nos últimos anos, segundo o ministro, foram investidos no Brasil R$ 112,3 milhões em hidrogênio e células a combustível (o dispositivo eletroquímico que tem no hidrogênio seu combustível mais comum), sendo R$ 47,4 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia . Dado o grande tamanho das baterias, os projetos em desenvolvimento no país até agora são voltados para a utilização em ônibus.