Título: ONU apresenta propostas para acordo pós-Kyoto
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Fonte: Valor Econômico, 21/05/2009, Internacional, p. A11

O primeiro rascunho de um novo tratado da ONU para combater o aquecimento global sugere metas tais como a quase eliminação das emissões de gases-estufa até meados deste século em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e o Japão.

Brasil, China, Índia e outras economias emergentes teriam como meta a redução de 25% das emissão desses gases. O Brasil já anunciou que aceita negociar metas de emissão, mas a China se recusa.

O texto de 53 páginas, colocado ontem no site da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, será agora refinado pelos 192 países que negociam um novo tratado para substituir o Protocolo do Kyoto, que é de 1997 e expira daqui a três anos.

"As emissões de gases precisam chegar o mais perto possível de zero até 2050. Esta é uma realidade científica", disse Stephanie Tunmore, do Greenpeace, grupo de defesa do ambiente.

No rascunho, o Secretariado do Clima da ONU lista diversas propostas para alguns assuntos-chave dentro do futuro tratado climático além das metas de corte de gases-estufa, como os créditos florestais, o comércio de emissões, a tecnologia de captura e armazenamento de carbono, os setores com emissões móveis (navios e aviação) e a energia nuclear.

A sugestão mais drástica para os países ricos é cortar as emissões pela metade entre 2018 e 2022, em relação aos níveis de 1990, para minimizar os efeitos associados à elevação das temperaturas, como elevação dos oceanos e eventos climáticos extremos (secas, furacões, enchentes).

"Os textos irão dar aos governos a base para identificarem em que ponto concordam, discordam e o que podem fazer para transformar discordância em acordo", afirmou o chefe do Secretariado, Yvo de Boer. Ele reconheceu que é preciso agilizar o texto, antes do encontro da ONU sobre o Clima, em dezembro, na Dinamarca.

Um dos temas que mais se destaca é o da energia nuclear, que também deve ganhar espaço no novo acordo climático. O rascunho da ONU considera como opções para serem votadas até Copenhague incluir ou não projetos de usinas nucleares dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), uma das ferramentas disponíveis para os países cumprirem as metas de redução de emissões. No caso de inclusão, regras específicas seriam estabelecidas por grupos de trabalhos científicos.

Os defensores da energia nuclear argumentam que ela é limpa por não emitir CO2.

Os contrários argumentam que o risco de contaminação radioativa ainda é muito grande, além de ser considerada cara.

(Com agências internacionais)