Título: Crise interrompeu criação de vagas, diz IBGE
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 22/05/2009, Brasil, p. A5
A crise econômica internacional teve como principal efeito sobre o mercado de trabalho brasileiro, até o momento, a parada de um movimento de criação de vagas, que seguia constante desde 2004. Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o mercado não está receptivo, mas não se percebe uma piora na qualidade dos empregos. Em abril, a taxa de desocupação situou-se em 8,9% um leve recuo ante o 9% de março.
" A crise estabilizou o mercado de trabalho, que dá conta de se manter semelhante a 2008, mas não se desenvolve " , destacou Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). " A falta de evolução não está sendo nociva a ponto de derrubar a qualidade do emprego " , acrescentou. O técnico do IBGE mostrou que, apesar da queda da população ocupada em 40 mil pessoas entre março e abril, o movimento foi seguido por uma redução da população desocupada, que ficou menor em 36 mil pessoas no mesmo período.
A dificuldade do mercado de gerar novos empregos é melhor percebida nas comparações anuais. Em abril, a população ocupada cresceu em 50 mil pessoas em relação a igual mês do ano passado, alta de 0,2%, patamar que é o menor para uma comparação anual desde o início da série, em março de 2002. Em abril de 2008, a população ocupada cresceu 3,9% frente a igual mês de 2007.
"O mercado não evolui, não gera postos e a PIA cresce mais que a população ocupada. Se perdurar, a consequência será o aumento da desocupação, e isso é preocupante" , explicou Cimar. "Mas estamos em um período em que ainda se aguarda o ponto de inflexão. A ansiedade é quando (o mercado) vai voltar a gerar postos de trabalho" , acrescentou.
Azeredo apontou o crescimento do emprego com carteira no setor privado como um dado positivo. Em abril houve crescimento de 0,9% neste indicador, o que equivale a 81 mil pessoas com trabalho formal a mais do que em março. Na comparação com abril do ano passado, a alta é de 2%, ou 180 mil postos de trabalho formais. Em abril, o número de empregados sem carteira do setor privado caiu 0,5% (ou corte de 13 mil pessoas), na comparação com março, enquanto em relação a abril do ano passado houve recuo de 3,7%, ou 99 mil postos informais a menos.
O rendimento médio entre janeiro e abril deste ano atingiu o maior patamar para os quatro primeiros meses do ano desde o início da série. O valor de R$ 1.304,80 recebido, em média, pelos trabalhadores entre janeiro e abril superou o R$ 1.256,90 registrado entre janeiro e abril de 2003. Para Azeredo, a inflação menor e o aumento do salário mínimo foram os principais razões para o crescimento.