Título: Aécio percorre Congresso em busca de apoio para 2010
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 22/05/2009, Política, p. A8
Num momento de incertezas em relação à candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência da República, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), reforçou nesta semana as articulações em busca de novos aliados - e fortalecimento dos atuais parceiros - para sua postulação à indicação do PSDB para disputar a sucessão presidencial. O alvo principal é o PMDB, mas os entendimentos incluem outros partidos da base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como PP, PR e PTB.
Nas incursões dos últimos dias, Aécio mostrou ânimo renovado e negou, de forma categórica, a possibilidade de ser o vice em uma chapa encabeçada pelo governador José Serra (SP). "Não houve nem haverá este acordo", afirmou, classificando como "falácia" o suposto entendimento. Ontem foi dia de visitas a dirigentes, líderes e parlamentares do PMDB e do DEM no Congresso. Talvez a mais emblemática delas tenha sido a última, ao senador Pedro Simon (PMDB-RS), que o próprio Aécio anunciou como um "estimulador" de sua "caminhada".
O senador gaúcho, um dos pemedebistas que defendem a candidatura própria do seu partido à Presidência da República, revelou publicamente uma conversa que teria mantido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de existir a candidatura de Dilma. "Faz tempo, o Lula falou para mim que o Aécio seria um grande candidato se viesse para o PMDB e o PT apoiasse", disse.
Aécio, ao lado de Simon, demonstrou satisfação. Ele expõe claramente a intenção de atrair partidos que hoje estão na base de sustentação de Lula, especialmente o PMDB, para uma aliança com a oposição em 2010. Antes de visitar Simon no gabinete do senador, o governador havia se reunido com o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), presidente do PMDB licenciado, que estava acompanhado de outros pemedebistas, inclusive o líder Henrique Eduardo Alves (RN), defensor do apoio a Dilma.
Aécio fez questão de organizar a pose para os fotógrafos, ficando entre Temer e Henrique Alves e aproximando o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). "Quando sair essa foto, o povo em São João Del Rey (MG) vai dizer: ´tá eleito o homem´", afirmou, entre risadas. O governador começou a romaria de ontem no Congresso pela liderança do DEM na Câmara, onde participou de um encontro público com cerca de 15 deputados do partido, entre eles o presidente nacional, Maia, e o líder da bancada, Ronaldo Caiado (GO).
Foi como um encontro de velhos amigos. Vários fatos passados foram lembrados e Aécio fez elogios ao papel do ex-PFL, transformado em Democratas, na eleição de Tancredo Neves, seu avô, presidente da República, no colégio eleitoral, em 1984. O governador lembrou que o fato ocorreu há 25 anos e propôs que fosse organizada uma comemoração para a data.
No discurso aos democratas, Aécio defendeu a superação de divergências regionais entre PSDB e DEM e disse que seu partido deverá ter a "generosidade" de apoiar candidaturas do aliado, nos Estados em que os democratas estiverem em melhor situação. "Nossa unidade é o nosso mais valioso ativo", disse. O mineiro pregou a "ampliação do leque de apoios", mas mantendo o núcleo formado por PSDB, DEM e PPS.
Falando em nome do DEM, Rodrigo Maia reafirmou que o partido estará unido no apoio à candidatura do PSDB, seja Aécio ou Serra. "Quem tem dois motores sempre terá um", afirmou, comparando o PSDB com duas candidaturas a um avião bimotor.
Na quarta-feira, Aécio teve encontro com dirigentes e senadores tucanos em Brasília. Mostrou irritação com a divulgação de notícia sobre suposto acordo para que ele seja vice de Serra. Os tucanos sentiram Aécio disposto a continuar na disputa interna com Serra, principalmente pelos estímulos que tem recebido de aliados. No dia 5 de junho, o PSDB fará encontro em Foz do Iguaçu (PR), do qual participarão os dois pré-candidatos.