Título: Venda de defensivos pode cair até 15%, diz Andef
Autor: Cruz, Patrick
Fonte: Valor Econômico, 26/05/2009, Agronegócios, p. B11

O mercado brasileiro de defensivos pode encerrar o ano com queda de até 15% em comparação com o desempenho de 2008, segundo projeção da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). Em 2008, as vendas do segmento atingiram o montante recorde de US$ 7,125 bilhões, de acordo com levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Defesa Vegetal (Sindag).

"Nós começamos o ano nos preparando para o pior", disse José Otavio Menten, diretor-executivo da Andef. "E o pior seria uma queda de 10% a 15%". O declínio estará ligado diretamente às restrições de crédito, avalia a entidade. Também pesará para o desempenho do setor a crise pela qual passa o setor sucroalcooleiro, que verá interrompido seu ritmo de aumento de área de plantio.

A queda de 10% a 15% é o cenário mais pessimista para a indústria, mas a entidade não fechou questão sobre se a espera "pelo pior", como afirmou o dirigente, será efetivamente o cenário que se desenrolará ao longo do ano.

"Ainda não sabemos se a queda será essa. Há alguns sinais positivos. A safrinha de milho tem sido melhor que a que se esperava e a redução na área de plantio de algodão não foi tão grande quanto a prevista", disse Menten. O desempenho nas vendas de defensivos para as lavouras de milho e algodão deve ser o principal responsável pelo declínio projetado para este ano. O peso dos defensivos no custo para o cultivo de milho e algodão é, respectivamente, de 10% e 35%.

Em volume, o consumo de defensivos cresceu 25% no Brasil em 2008, para 733,9 milhões de toneladas. Os Estados Unidos, que até 2007 lideravam o mercado mundial de agroquímicos, registraram consumo de 646 milhões de toneladas, volume que correspondeu a receita de vendas de US$ 6 bilhões.

Embora se espere retração no mercado brasileiro de defensivos, é possível que o país mantenha a dianteira mundial do segmento, alcançada em 2008, avalia Menten. "Por conta da crise econômica, deve ocorrer queda também nos outros países", diz.

Se, por um lado, os agricultores brasileiros devem reduzir neste ano suas compras de agroquímicos, o mercado nacional do insumo tem potencial para avanço mais consistente no futuro, segundo avaliação da Andef.

O consumo médio de agrotóxicos no Brasil é de US$ 88 por hectare, ou US$ 7,4 por tonelada. Na França, chega a US$ 197 por hectare e US$ 22 por tonelada. No Japão, é ainda mais elevado: US$ 851 por hectare ou US$ 73 por tonelada, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e da consultoria Amis Global citados pela Andef. "É claro que são realidades e culturas diferentes, mas os dados mostram que há potencial para crescimento", afirma Menten.