Título: Venezuela limita acesso a dólares
Autor: Ulhôa , Raquel
Fonte: Valor Econômico, 02/06/2009, Internacional, p. A10

A Venezuela cortou pela metade a quantidade de dólares que os venezuelanos podem enviar por mês para fora do país. É uma tentativa de manter as reservas de moeda americana depois de a receita obtida com o petróleo ter despencado no primeiro trimestre.

A Comissão de Administração de Divisas (Cadivi), responsável pela venda de moeda estrangeira no país, anunciou que os venezuelanos podem agora enviar no máximo US$ 900 por mês a familiares no exterior. O limite anterior era de US$ 1.800. No início do ano, o governo já havia reduzido pela metade a quantidade de dólares que as pessoas podiam comprar para viajar para o exterior. O limite anual passou a ser de US$ 2.500.

Desde 2003 a Venezuela exige aprovação do governo para a compra de moeda estrangeira. O câmbio oficial do dólar está congelado desde 2005: US$ 1 vale 2,15 bolívares. No mercado paralelo, porém, a cotação é de mais de 5 bolívares.

Nos três primeiros meses do ano, a economia venezuelana teve o pior crescimento em cinco anos e a receita com a exportação de petróleo caiu 56% - por causa da desvalorização do barril e também da diminuição da produção. Ontem, no entanto, o ministro das Finanças, Ali Rodríguez, disse que a arrecadação federal voltou a crescer graças à subida do recente do petróleo. Via de regra, disse, a cada US$ 1 de aumento da cotação, a receita aumenta em US$ 1 bilhão.

No primeiro trimestre, a Cadivi aprovou a compra de US$ 208 milhões que foram enviados por venezuelanos a seus familiares no exterior. O valor representa 2,9% do total de operações de compra de moeda estrangeira aprovadas pelo governo no período. Para Adrian Aguirre, economista do Bancaribe, em Caracas, a redução não terá impacto significativo nas reservas do governo e talvez tenha como real objetivo evitar fuga de capital.