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Fonte: Valor Econômico, 03/06/2009, Brasil, p. A5
Destroços do Airbus A 330-200 da Air France, desaparecido na noite do domingo com 228 pessoas a bordo, foram encontrados ontem por um avião Hércules, da Força Aérea Brasileira (FAB). A confirmação de que eles pertencem à aeronave foi anunciada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Jobim confirmou também que, pelas indicações obtidas até o momento, o acidente aconteceu dentro da zona econômica exclusiva do Brasil no oceano Atlântico, a 93 milhas do arquipélago de São Pedro e São Paulo, e a 400 milhas (aproximadamente 700 quilômetros) de Fernando de Noronha. "Os 5 quilômetros de destroços avistados pelo Hércules são suficientes para determinar que pertencem ao avião [da Air France]", afirmou o ministro, que falou a jornalistas após encontro com os familiares das vítimas.
Pela manhã, a FAB informou que os aviões em operação de busca do voo AF 447 visualizaram peças metálicas e não-metálicas, incluindo poltronas, e vestígios de óleo a a noroeste de Fernando de Noronha.
Durante o dia de ontem, três navios de rotas comerciais foram deslocados para a região com o objetivo de procurar sobreviventes. Hoje pela manhã, o navio-patrulha Grajaú, da Marinha brasileira, deve chegar ao local onde foram observados cerca de 5 quilômetros de fios e materiais metálicos e iniciará a busca por vítimas e outros pedaços da aeronave.
Jobim evitou falar na hipótese de que as buscas efetuadas pela Marinha e pela Aeronáutica no Atlântico encontrem sobreviventes do acidente com o Airbus A-330 da Air France. "Não trabalhamos com hipóteses, mas como fatos empíricos. Não foi visualizado nenhum corpo", disse o ministro.
Jobim ressaltou que a lista com os nomes dos passageiros será divulgada pela companhia aérea, porém adiantou que, a pedido de familiares, alguns nomes não serão revelados. Sobre a investigação, o ministro da Defesa explicou que, apesar de o acidente ter ocorrido em águas territoriais brasileiras, a legislação internacional determina que as autoridades responsáveis são aquelas do país onde a aeronave está registrada, no caso a França.
Além do navio-patrulha Grajaú, que se juntará a dois navios mercantes holandeses e um francês, amanhã chegam também ao local as embarcações brasileiras Constituição e Caboclo. A área a ser vasculhada envolve 9.785 quilômetros quadrados. Tudo o que for encontrado será transportado de navio até uma região a 250 milhas de Fernando de Noronha, onde o material será recolhido por helicópteros, que descarregarão na ilha.
O ministro disse ainda que será difícil encontrar a caixa-preta da aeronave, já que o mar na região tem uma profundidade entre 2 mil metros e 3 mil metros e o material da caixa não é flutuante.
O presidente da República em exercício, José Alencar, decretou ontem luto oficial de três dias pelas vítimas do acidente. "Tendo em vista a localização em alto mar dos destroços do avião da Air France, desaparecido desde a noite de domingo, o presidente em exercício, José Alencar, decretou luto oficial em todo o país por três dias, a partir de hoje, em sinal de pesar pelas vítimas do acidente aéreo", diz nota oficial divulgada pela Presidência.
O governo francês já iniciou as investigações antes mesmo de examinar o material resgatado pelo Brasil. Os trabalhos estão a cargo do Bureau d´Enquêtes et Analyses (BEA), órgão ligado ao Ministério dos Transportes francês, que começou a coletar e analisar dados sobre o histórico da aeronave acidentada. ( Agências noticiosas)