Título: Investigação pode ser frustrante, avalia França
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 04/06/2009, Brasil, p. A4
Autoridades francesas disseram ontem que possivelmente nunca serão descobertas as razões que causaram a queda da aeronave da Air France no oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo na noite do último domingo, e que as caixas-pretas do avião podem não ser encontradas no fundo do mar. Para o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, a mancha de óleo que foi encontrada pode excluir a hipótese de ter havido explosão. " A existência de manchas de óleo pode excluir eventualmente incêndio, explosão. Se não não teria mancha de óleo", ponderou. Questionado se havia algum sinal de terrorismo, ele afirmou que " não há nenhuma sinalização " .
Uma primeira embarcação da Marinha brasileira chegou n ontem à região situada a 1.200 quilômetros de Recife, onde foram encontradas partes da aeronave que decolou do Rio com destino a Paris no domingo, na esperança de recuperar o máximo possível de destroços. Aviões da Força Aérea Brasileira visualizaram pntem mais quatro pontos com destroços cerca de 90 quilômetros ao sul do local onde foram avistadas as primeiras partes do avião, na terça-feira, no meio do oceano Atlântico. Entre os destroços encontrados, uma peça metálica tem 7 metros de diâmetro que
A França também está despachando para a área um minissubmarino capaz de explorar em profundidades de até 6 mil metros que tentará localizar as caixas-pretas do Airbus. Mas Paul Louis Arslanian, diretor da agência francesa de investigação de acidentes aéreos, disse não estar certo de que as caixas-pretas serão recuperadas e que a investigação pode acabar sendo frustrante.
" Não estou inteiramente otimista. Não podemos excluir a possibilidade de não serem encontrados os registros do voo " , disse Arslanian a jornalistas, avisando que a investigação pode levar muito tempo para ser concluída. " Não posso excluir a possibilidade de terminarmos com uma conclusão que seja relativamente insatisfatória em termos de certezas " , acrescentou.
Um primeiro relatório ficará pronto até o final do mês. A investigação está sob o comando de Alain Bouillard, que também chefiou o inquérito sobre a queda de um Concorde da Air France em 2000. Arslanian revelou poucos elementos novos, confirmando apenas que a tripulação da aeronave enviou uma mensagem de rádio reportando turbulência quando o avião se dirigia para o equador e que, depois, o avião enviou uma série de mensagens automáticas relatando falhas de funcionamento.
As autoridades estão surpresas pelo fato de um avião moderno, operado por três pilotos experientes, ter caído repentinamente, sem nem sequer dar aos pilotos tempo de enviar um pedido de socorro. A Air France e o governo francês afirmam que o tempo ruim e turbulência provavelmente foram as causas do desastre, mas não descartam outras hipóteses, incluindo terrorismo.
A Air France confirmou ontem que recebeu uma ligação anônima alertando que uma bomba estava em um voo que partiu de Buenos Aires no dia 27 de maio, quatro dias antes do acidente com o voo AF 447. Um porta-voz da empresa disse que o avião foi checado, nenhuma bomba foi encontrada e que a aeronave decolou da Argentina com uma hora e meia de atraso. Ele acrescentou que esse tipo de ligação com alerta é relativamente normal.
O Brasil enviou quatro navios de sua Marinha e um navio-tanque para a região onde foram avistados destroços por aviões da FAB, incluindo uma peça metálica com 7 metros de diâmetro que seria da fuselagem do avião da Air France e manchas de óleo.
Em Brasília, Jobim, afirmou que não há mais dúvida quanto ao local da queda do Airbus A 330, da Air France, e que, até o momento, não foram encontrados corpos ou sobreviventes. Segundo ele, as buscas da Marinha irão se concentrar num raio de 200 quilômetros a partir do ponto onde foram avistados os destroços. Durante buscas realizadas na noite de terça-feira, uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) identificou quatro pontos de destroços. "Continuamos fazendo a triagem dos destroços espalhados por duas trilhas distantes uma da outra cerca de 138 milhas náuticas, o que corresponde a 230 quilômetros" disse Jobim.
Para o ministro, a existência de manchas de óleo na água pode servir para descartar a hipótese de que o avião tenha pegado fogo. Os destroços que forem sendo localizados serão recolhidos pela Marinha e, se solicitados, enviados para a França a quem compete investigar as causas do acidente.