Título: Países ricos voltam a crescer no fim do ano, prevê a OCDE
Autor: Pimlott , Daniel
Fonte: Valor Econômico, 09/06/2009, Internacional, p. A11
A maioria das grandes economias mundiais está perto de sair da recessão, segundo dados publicados ontem pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Eles sugerem uma possível recuperação em torno do fim do ano.
A organização com base em Paris anunciou em sua mais recente análise mensal de indicadores antecedentes que um "possível vale [fundo do poço]" tinha sido atingido em abril nos países mais desenvolvidos, que reunidos geram quase 75% do PIB mundial.
O índice composto que reflete o comportamento de 30 economias subiu 0,5 ponto em abril, sendo este o segundo crescimento mensal consecutivo, após cair durante os 21 meses anteriores. O índice procura identificar pontos de inflexão no ciclo econômico com antecedência de aproximadamente seis meses.
A OCDE declarou que seu indicador agregado envolvendo países membros avançados - num amplo leque incluindo a zona do euro, do Reino Unido aos EUA, do México ao Japão - agora aponta para uma "recuperação" em vez do "forte desaquecimento" que esses países vinham sofrendo desde agosto passado.
"Ainda é muito cedo para avaliar se é um marco de mudança temporário ou mais durável", segundo a organização. Mas os dados "apontam para uma redução no ritmo de deterioração na maioria das economias da OCDE, com sinais mais fortes de uma possível batida no fundo do poço no Canadá, na França, na Itália e no Reino Unido".
A melhoria nas perspectivas mundiais são anunciadas em meio a evidências de que em maio o mercado de trabalho americano melhorou pela primeira vez em 16 meses. O Conference Board anunciou que seu índice de tendência do nível de emprego subiu de 89,7 em abril para 89,9 no mês passado. O anúncio vem na esteira de dados que na semana passada revelaram que em maio os EUA perderam muito menos empregos do que esperado.
O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que espera criar ou preservar 600 mil empregos nos próximos 100 dias, acelerando 10 grandes projetos financiados pelo enorme pacote de estímulo aprovado pelo Congresso em fevereiro. "Nós temos uma longa distância a percorrer no caminho para a recuperação, mas estamos indo na direção certa", afirmou.
Para Paul Krugman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia deste ano, os EUA poderão sair da recessão até setembro. "Eu não me surpreenderia se o fim oficial da recessão dos Estados Unidos acabar sendo, retrospectivamente, datado de algum ponto do terceiro trimestre", disse ele em uma aula na Faculdade de Economia de Londres. "As coisas parecem estar piorando mais lentamente. Há algum motivo para pensar que estamos estabilizando", disse ele. (Com agências internacionais)