Título: G-8 adota tom otimista de fim de crise
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Fonte: Valor Econômico, 15/06/2009, Internacional, p. A8

O G-8 começou a considerar como reverter os passos emergenciais que tomou para socorrer a economia mundial, agora que, segundo o grupo de países ricos, são dectectados sinais de recuperação.

Ao apresentar sua mais otimista visão desde o colapso do Lehman Brothers, os ministros das Finanças do G-8 disseram que começarão a planejar estratégias de saída, para quando ressurgir um crescimento sustentável. Ainda é muito cedo para reverter déficits orçamentários e socorros a bancos, disseram eles após reunião na Itália.

"Discutimos a necessidade de preparar estratégias apropriadas de reversão das medidas extraordinárias de política econômico-monetária tomadas em reação à crise, para depois que a recuperação for segura", disseram os ministros em uma declaração ontem, após dois dias de conversações. Há "sinais de estabilização", embora "a situação permaneça incerta".

Os governos estão sob pressão para mudar seu enfoque de combate à recessão para um de suavização de uma recuperação, pois os investidores estão mais preocupados com que os mais de US$ 2 trilhões em programas de estímulo sejam estopim inflacionário, se não controlados. Houve discordâncias entre as autoridades sobre se a Europa está pondo em perigo uma recuperação, ao recusar-se a impor exames mais rigorosos das condições de bancos individuais.

"Os sinais iniciais de melhoria são animadores, mas a economia mundial continua operando bem abaixo de seu potencial, e continua enfrentando sérios problemas", disse o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner. Presidentes de bancos centrais não compareceram a esse encontro, e nada foi mencionado na declaração sobre taxas de juro ou câmbio.

Sinais de que a pior depressão desde a Segunda Guerra Mundial está abrandando estão fazendo com que os presidentes de bancos centrais e investidores advirtam que a inflação acelerará, se os governos não reduzirem seus gastos. Na semana passada, o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA para dez anos chegaram a 4% pela primeira vez desde outubro.

"Há uma nítida mudança de tom" no G-8, disse Eswar Prasad, economista na Brookings Institution. No entanto, "aumentos nos juros devido a preocupações com déficits fiscais e perspectivas de inflação poderão asfixiar uma recuperação incipiente".

Os governos não descreveram como apertarão suas políticas a partir do momento em que considerarem que suas economias estão suficientemente fortes para assimilá-lo, e atribuiu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a tarefa de estudar de maneiras de fazê-lo. Os países do G-8 comprometeram-se a coordenar suas ações para não distorcer mercados e economias, como aconteceu durante a precipitação para salvar bancos.

Enquanto Peer Steinbrueck, ministro das Finanças alemão cobrava uma "estratégia de saída crível" para evitar inflação, Geithner e Alistair Darling, o ministro das Finanças britânico, advertiram contra prejudicar a economia mundial com ações prematuras.

"É muito cedo para adotar uma política de contenção", disse Geithner. Para Darling, "ninguém ainda está falando em reversão (das medidas)".

O G-8 reuniu-se um dia após a divulgação de dados mostrando que a confiança do consumidor cresceu pelo quarto mês consecutivo nos EUA, em junho, e subiu para um pico em 14 meses, em maio, no Japão. Nos EUA, as bolsas de valores avançaram na semana passada, zerando a queda da Média Industrial Dow Jones em 2009.

"Há crescentes sinais de estabilização em nossas economias", disse o G-8. Ainda assim, o grupo citou o desemprego crescente como sendo um problema, e prometeu continuar tomando "todos os passos necessários para colocar a economia mundial em vigorosa estável e sustentável trajetória de crescimento econômico".