Título: Com caixa mais recheado, Vale deve reduzir captações
Autor: Mônica Izaguirre
Fonte: Valor Econômico, 10/03/2005, Empresas &, p. B6
A mineradora Vale do Rio Doce - que já é a maior empresa privada da América Latina em valor de mercado - está revendo seu plano de captação de recursos externos para 2005. O novo montante não está definido. Mas será inferior ao R$ 1 bilhão inicialmente planejado, anunciou ontem, em Brasília, o diretor financeiro da companhia, Fábio Barbosa. A revisão é consequência da recente e expressiva alta do preço do minério de ferro para o mercado externo. Com a elevação de 71,5%, a Vale espera ter um incremento da ordem de US$ 3,5 bilhões em sua receita de exportações. Com isso, terá menos necessidade de tomar financiamento externo para tocar seus planos de investimento. O balanço de 2004 será divulgado dia 21. Os números preliminares apresentados ontem por Barbosa indicam que, no conjunto, as empresas do grupo exportaram US$ 5,2 bilhões em 2004, ante US$ 4 bilhões em 2003. Só o impacto do aumento do preço do minério, portanto, seria suficiente para elevar o volume financeiro das exportações para US$ 8,7 bilhão. Barbosa avalia que o mercado externo do produto continuará pressionado pela forte demanda dos chineses, o que abre espaço para a produção da brasileira continuar se expandindo. Em 2004, a Vale produziu 210 milhões de toneladas. Para 2005, Barbosa espera 230 milhões de toneladas. Ele lembrou que, em 2000, o volume produzido de minério de fero foi de 123,5 milhões e que, daí em diante, houve um crescimento médio anual de 14,2% (inclui aquisições). Para garantir uma inserção cada vez maior no mercado externo, a Vale planeja investir cerca de R$ 40 bilhões deste ano até final de 2010. Se isso for conseguido, no seu rastro virão também investimentos de clientes ou potenciais clientes em siderurgia. Do exterior são esperados recursos diretos de US$ 8,9 bilhões, como consequência da execução de projetos da Vale. Em 2005, os investimentos da empresa deverão chegar a R$ 10,8 bilhões. Parte disso - R$ 856 milhões - será feita no exterior. Recentemente, disse o diretor, a empresa iniciou atividades na Austrália, onde pesquisa a viabilidade econômica da exploração de carvão. Com isso, já está presente em exploração mineral em dez países. Como resultado das pesquisas no exterior, até o final da década espera produzir carvão em Moçambique e na Venezuela, manganês no Gabão e potássio na Argentina. No Brasil, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento também serão bastante distribuídos por diversos minerais (potássio, bauxita, níquel, cobre, entre outros, além dos ferrosos) A empresa vem buscando investir ainda na área de logística, para melhorar as condições de escoamento de sua própria produção e das siderúrgicas que compram seu minério. São previstos para este ano R$ 2,45 bilhões no país. O diretor ressaltou que a demanda da companhia nessa área fez reviver, no Brasil, a indústria de equipamentos ferroviários. Nos últimos dois anos adquiriu 5.500 vagões. Em dezembro, fechou contrato para comprar mais 4.858, com entrega em 2005 e 2006. Barbosa atribui aos investimentos dos últimos anos e à internacionalização o aumento do valor de mercado da empresa, que chegou a US$ 39,9 bilhões em 24 de fevereiro. Em dezembro de 2001, a Vale era valiada em US$ 9 bilhões.