Título: Bancos fazem ajustes; indústria pede mais redução
Autor: Ribeiro , Alex
Fonte: Valor Econômico, 23/07/2009, Finanças, p. C1
Vários bancos anunciaram ontem à noite redução dos juros cobrados nos empréstimos para pessoas físicas e empresas, seguindo a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a Selic em 0,50 ponto percentual. Bradesco, Itaú Unibanco, HSBC, Santander e Banco do Brasil estão entre as instituições com taxas menores. Já representares do setor industrial queriam um corte maior no juro básico.
Entre os bancos, o HSBC informou que chegou a repassar, em alguns casos, toda a redução da Selic de ontem nas taxas de produtos de crédito para pessoas físicas e jurídicas. No cheque especial, por exemplo, o juro máximo cobrado caiu de 9,30% ao mês para 9,26%. Os novos valores valem a partir de hoje.
O Bradesco também informou redução dos juros para várias modalidades. No crédito pessoal, a taxa mínima caiu de 3,11% ao mês para 3,07%. A redução vale a partir da próxima segunda-feira.
Em um comunicado anunciando redução das taxas, o presidente do grupo Santander Brasil, Fabio Barbosa, afirma que o corte da Selic "contribui para a recuperação do mercado, que já apresenta perspectivas positivas para este segundo semestre". O banco anunciou também corte para as taxas do cartão de crédito. No parcelamento da fatura, a redução foi de 6,99% para 6,95%.
Entre os bancos públicos, a Caixa Econômica Federal e a Nossa Caixa se anteciparam à decisão do Copom e anunciaram redução dos juros na noite de terça-feira. Ontem, foi a vez do Banco do Brasil. O banco informa que mantém "sua estratégia de redução das taxas de juros e de ampliação da competitividade do setor bancário". No financiamento de veículos, por exemplo, a taxa mínima foi reduzida de 1,19% ao mês para 1,17%.
No setor industrial, o corte foi recebido com cautela. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) esperava uma redução "maior". Em nota, Armando Monteiro Neto, presidente da entidade, afirma que a redução da Selic em menor ritmo que nas reuniões anteriores "é prematura e equivocada".
No comunicado, Monteiro diz ainda que "a crise não foi superada e as condições da economia brasileira exigem um corte mais expressivo nos juros." Ele argumenta que o nível de utilização da capacidade instalada e a produção da indústria "mantêm-se substancialmente abaixo do ano passado".
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) diz que a decisão do Copom é "positiva" , mas pede uma taxa Selic de 7% anuais. Uma Selic nesse nível "representará um juro real de 3%, o que induzirá o aumento dos investimentos das empresas e consumo das famílias" , argumenta o presidente da entidade, Paulo Skaf, em um comunicado.
O Ibef SP (que reúne executivos de finanças) vai na mesma direção é ressalta "que os juros básicos ainda não atingiram patamares verdadeiramente favoráveis à cadeia produtiva."
No varejo, a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) avalia que a redução da Selic está chegando ao limite e que agora é hora de o "governo criar oportunidades para que os juros também baixem para o consumidor." Abram Szajman, presidente da Federação, afirma em um comunicado que "há espaço para uma redução de pelo menos 25% no spread cobrado atualmente, bastante factível de se conseguir, se houver empenho conjunto de bancos e governo".