Título: Pacote ajuda França a amenizar queda do PIB
Autor: Galvão, Arnaldo
Fonte: Valor Econômico, 30/06/2009, Brasil, p. A3

O expressivo pacote de recuperação econômica do governo pode permitir que a França encerre 2009 com a menor queda no Produto Interno Bruto (PIB) entre as maiores economias da Europa - menos 3%. As projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam perdas muito maiores para Alemanha (-6,1%), Itália (-5,5%), Reino Unido (-4,3%), Espanha (-4,2%) e Itália (-5,5%). Uma das razões do impacto menos intenso é o peso das despesas públicas na economia: 52%, um tamanho só superado pelos 54% da Suécia.

O pacote francês começou com 26 bilhões destinados aos investimentos privados, públicos e das empresas estatais, mas cresce para perto de 50 bilhões quando são somados os programas destinados a manter o poder aquisitivo da população. O governo aumentou o valor e a extensão do seguro-desemprego, vai elevar o valor do salário mínimo em 1,3% em julho (acima da inflação calculada em 0,6%) e também criou bônus especiais para os trabalhadores de baixa renda, informa Gilles de Robien, representante do país na Organização Internacional do Trabalho (OIT) e um dos assessores encarregados de acompanhar as medidas sociais de mitigação da crise.

Na avaliação de diferentes áreas do governo francês, as medidas começam a dar resultado, ainda que tímidos. O número mensal de novos desempregados recuou de 80 mil a 90 mil pessoas para um número mais próximo a 50 mil pessoas e também já foram vendidos 200 mil novos carros, uma movimentação não esperada antes do bônus "ferro velho" - medida pela qual cada francês que trocar o carro velho este ano ganha um bônus de 1 mil do governo. O PIB do primeiro trimestre recuou 1,2%, inferior à queda de 1,5% registrada nos últimos três meses de 2008.

Outro ponto apontado como positivo é a forte adesão dos municípios aos programa de obras de infraestrutura proposto pelo governo, uma espécie de Programa de Aceleração do Crescimento francês. Por este pacote, os municípios com projetos de saneamento, estradas, habitações, etc, que assumissem o compromisso de antecipar as obras para 2009 teriam um reembolso antecipado do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que representa, na prática, um subsídio de 15% no valor da obra. No total, 19.640 coletividades assinaram adesão ao programa, além de 90 departamentos e 23 regiões. Com isso, o valor destinado para este programa, estimado inicialmente em ¿ 2,5 bilhões foi elevado em 40% para ¿ 3,5 bilhões.(DN)