Título: Índices detectam preços estáveis no início do mês
Autor: Raquel Salgado
Fonte: Valor Econômico, 11/03/2005, Brasil, p. A2
As primeiras medições dos índices de inflação de março ainda não refletiram novas pressões, sejam de alta ou de queda. Em São Paulo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ficou em 0,30% na primeira quadrissemana, abaixo do 0,52% apurado no mesmo período de fevereiro, e do 0,36% do fechamento do mês. A prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), subiu de 0,18% para 0,4%. A galinha foi, mais uma vez, a vilã da alta de preços. O tempo quente em boa parte do país fez com que as aves colocassem menos ovos, o que causou um choque de oferta. Em São Paulo, além disso, o reajuste do ônibus já começou a ser sentido, mas ainda de forma tímida, pois a pesquisa da Fipe só captou três dias da nova tarifa. Por outro lado, o câmbio ainda colabora para a desaceleração do movimento de alta dos preços no varejo e no atacado. A maior contribuição para a elevação do IGP-M veio do índice do atacado (IPA), que avançou de 0,10% para 0,44%. Desse total, 0,42 ponto percentual ficou por conta do aumento de 25% nos ovos, que em fevereiro havia apresentado deflação de 8,7%. O IPA industrial caiu de 0,19% para 0,10%. Em contrapartida, os preços agrícolas no atacado saltaram de uma deflação de 0,15% para 1,42%. Em São Paulo, o reajuste da tarifa de ônibus de 17,65% e o aumento de 9,56% nos ovos trouxeram, em ordem, impactos de 0,09 e 0,04 ponto percentual no IPC da Fipe. Só a alta do ovo representou 10% da inflação. Para março, o economista da Fipe, Paulo Picchetti, espera alta de 0,8% no IPC. Pela pesquisa da Fipe, o grupo habitação registrou desaceleração de 0,51%, no fechamento de fevereiro, para 0,39%. Os alimentos ficaram 0,19% mais caros, enquanto os gastos com transporte subiram 1,22%. O item saúde teve leve alta, de 0,23% para 0,27%, e o vestuário, que caía 0,82% no mês passado, ficou em deflação de 0,77%. Os gastos com despesas subiram 0,09% (menos que no período anterior). O item educação registrou queda de 0,36%. A boa notícia do IGP-M veio dos insumos, como ferro, aço e derivados, matérias plásticas e papel e papelão, pois todos apresentaram recuo na comparação com o mês anterior. Para Salomão Quadros, economista da FGV, a desaceleração pode ser creditada à valorização do câmbio. "Isso amenizará a pressão de custos nas empresas. Elas poderão amenizar eventuais repasses de preços". Ainda no IGP-M, o índice ao consumidor (IPC) teve ligeira alta de 0,30% para 0,32%.