Título: Furlan acredita em apreciação do dólar
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Fonte: Valor Econômico, 15/03/2005, Brasil, p. A4

As recentes medidas adotadas pelo governo vão provocar uma apreciação das cotações do dólar nos próximos meses, beneficiando setores que enfrentam hoje dificuldade para aumentar ou mesmo manter suas exportações. A avaliação foi feita ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, que participou de um seminário sobre investimentos de países escandinavos no Brasil. "Caminhamos para ter uma taxa de câmbio no segundo semestre bastante atrativa para os exportadores", disse o ministro. Otimista, Furlan projeta alcançar no fim deste mês exportações de US$ 101 bilhões no acumulado dos últimos doze meses. A preocupação inicial do próprio ministro com a valorização do real frente ao dólar foi compensada, segundo ele, pela reação dos preços de diversas commodities no mercado internacional. Furlan citou a soja e o café como exemplo. Na sua avaliação, o aumento da participação de produtos industrializados na pauta de exportações também foi um ponto favorável. "Os dados de janeiro e fevereiro mostram que a participação dos produtos de valor agregado foi de 54,5% para quase 58%. Isso significa menor sensibilidade às bolsas internacionais e à taxa de câmbio", afirmou Furlan. Se as exportações de commodities continuam em expansão, Furlan admitiu que setores como o de calçados e automotivo enfrentam hoje "bastante dificuldades". Em calçados, o ministro disse que a dificuldade reflete a impossibilidade do setor de elevar seus preços para compensar eventuais aumentos de custo e a depreciação da taxa de câmbio. "O setor de calçados está agora readequando seus planos de exportação", avaliou. No almoço com representantes de empresas de capital escandinavo, o ministro recorreu a uma imagem religiosa para se referir à recuperação da economia no Brasil. Furlan disse ter recebido uma carta que fazia menção a um pensamento atribuído à Santa Terezinha. Por esse pensamento, seria "melhor estar perto do inferno, mas a caminho do céu do que perto do céu e a caminho do inferno", repetiu o ministro. "Refleti sobre isso em relação a nossa situação. Já estivemos mais perto do inferno anos atrás e tenho certeza de que hoje estamos a caminho do céu", afirmou. Segundo Furlan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera uma política para melhorar a eficiência da máquina administrativa do país, pré-condição para o Brasil atrair novos investimentos estrangeiros. Ele lembrou que o Brasil ainda responde por 0,5% das importações totais dos países escandinavos. Amanhã o ministro vai a Londres participar de almoço com a secretária de Estado do Comércio e Indústria do Reino Unido, Patricia Hewitt, e investidores britânicos. O encontro será na Câmara de Comércio Brasileira no Reino Unido. Já no dia 18, Furlan desembarca na Turquia para participar de uma missão que pretende incrementar a pauta de exportações brasileiras com o país. Apesar de ser o 25º maior comprador mundial, a Turquia adquire apenas 0,5% de todas as vendas externas brasileiras. Com a viagem, o ministro tenta reverter este quadro, ativando mais a relação com mercados alternativos.