Título: Cresce a concorrência em caminhões pesados
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 15/03/2005, Empresas &, p. B1

Se até meados da década de 90, a Scania, uma especialista em caminhões pesados, era dona absoluta desse mercado no Brasil e a Volvo, outro fabricante sueco que também domina a tecnologia nesse segmento de carga, era o concorrente mais direto, hoje a disputa está muito mais acirrada. A chegada de mais um fabricante, a italiana Iveco, e a entrada de outras montadoras de caminhões no segmento de pesados acirrou a concorrência pelo segmento dos caminhões mais caros. Segundo classificação da associação dos fabricantes de veículos, pesado é aquele caminhão com capacidade máxima de tração maior que 45 toneladas ou peso bruto total combinado maior ou igual a 40 toneladas. A venda de pesados somada com a de semipesados - classificação um grau abaixo e que também está atraindo investimentos da indústria - representou 56,35% do mercado brasileiro no ano passado, num total de 48,4 mil unidades. Apenas os pesados representaram 29,36% das vendas de caminhões no Brasil. A produção de veículos de carga alcançou, em 2004, o maior volume da história, com 106,9 mil unidades. Mas foi o segmento dos pesados que apresentou o maior crescimento no mercado interno. A comercialização de 25.194 unidades desse segmento significou um incremento de 41,1% na comparação com o ano anterior. No mesmo período, o mercado total de caminhões avançou 25,9%. Já o segmento de leves cresceu 13,2%. Os médios registraram o pior desempenho, com crescimento de 6,9% em 2004. Resultado de um ano de ascensão do agronegócio, o segmento de veículos com maior capacidade tem atraído investimentos de todas as montadoras. Entre os fabricantes que roubaram parte da fatia das vendas da Scania está a Volkswagen , até agora com um único modelo de caminhão pesado - o Titan Tractor. No entanto, sozinho esse modelo somou a venda de 4 mil unidades no ano passado de um total de 34,4 mil registrado pela marca. Com esse único modelo, a Volks Caminhões conseguiu o quarto lugar do mercado de pesados , com uma fatia de 18,34% das vendas de 2004. No mesmo segmento, a Ford vem em seguida, com 7,34% das vendas do ano passado. A Iveco, com fatia de 6,27%, deslocou uma fábrica inteira da Argentina para o Brasil em 2004 dedicada ao fornecimentos de pesados para o mercado local. Com essa nacionalização, os compradores de caminhões da marca passaram a poder usar o Finame, linha de financiamento do BNDES, com juros mais baixos. Em fevereiro, os modelos pesados ajudaram a Iveco a dobrar as vendas na comparação com o mês anterior. No terceiro lugar do mercado de pesados, a Volvo acertou na decisão de ingressar também no segmento de semipesados, onde atua desde outubro de 2003. Com mais esse canal, a marca conseguiu um crescimento de 35% nas vendas anuais. Somente no segmento dos pesados o avanço foi de 15%. O Brasil se transformou no centro das atenções dos fabricantes suecos. Para a Scania, o mercado brasileiro é hoje o maior do mundo, superando a Inglaterra, antes no primeiro lugar. Para a Volvo, o Brasil está na terceira colocação. Mas a DaimlerChrysler, dona de metade da frota de caminhões que circulam hoje pelo país, é hoje a maior ameaça à retomada do primeiro lugar pela Scania. Em 2004, a companhia que fabrica a marca Mercedes-Benz atingiu o maior volume de produção dos últimos 25 anos. Dos 26.114 caminhões vendidos no Brasil, 5.962 foram do segmento pesado. O volume ficou bem próximo dos 6.093 comercializados pela Scania. (MO)