Título: Segmento pessoa física capta mais de R$ 1 bi no mês
Autor: Felipe Frisch
Fonte: Valor Econômico, 15/03/2005, EU &, p. D2
Uma grande movimentação está acontecendo nos fundos de investimentos neste mês. Com as apostas nos juros altos, somente os fundos de renda fixa já receberam R$ 1,882 bilhão em novas aplicações até o dia 10, segundo levantamento do site Fortuna. Com isso, o setor registra um fluxo positivo de R$ 1,335 bilhão. Desse valor, 81%, ou R$ 1,086 bilhão vieram das pessoas físicas, explica Marcelo D'Agosto, sócio da consultoria. O executivo destaca a participação dos investidores médios, na faixa de R$ 5 mil a R$ 100 mil de aplicação mínima, que investiram R$ 506,055 milhões somente neste mês. Os pequenos poupadores, com aplicação de até R$ 5 mil, investiram R$ 506,055 milhões. Os que aplicam mais de R$ 100 mil somaram mais R$ 191,165 milhões ao segmento. "Há muito tempo que não vemos os fundos voltados a pessoas físicas captando tanto, desde a recuperação da marcação a mercado, em 2002", diz. No ano, os gestores acumulam R$ 7,301 bilhões de novos recursos a serem administrados. O maior movimento, no entanto, tem sido de migração dos multimercados - de onde já saíram R$ 16,872 bilhões - para a renda fixa, que acumula entrada de R$ 18,103 bilhões em 2005. O executivo do site explica que a migração está sendo feita pelos gestores de recursos, preocupados com a mudança na forma de divulgação de cotas para resgates, exigida pela Instrução 409, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Pela nova regra, apenas os fundos de renda fixa, curto prazo e referenciados (DI e de índices de preços) podem continuar usando a cota de abertura - a primeira do dia - para calcular quanto o investidor levará para casa em caso de saque. A regra visa evitar que investidores "operem" a cota do fundo em dias mais voláteis, ou seja, peçam o resgate pela cota do início do dia sabendo que esta poderá valer bem menos no fechamento. Nos fundos de ações, multimercados, cambiais e de dívida externa, as novas aplicações e resgates serão feitos usando a última cota do dia. Os fundos têm até o dia 31 para se adequarem à nova regra. Marcelo D'Agosto explica que, na prática, os fundos estão sendo reclassificados agora porque já tinham como seus ativos mais importantes títulos públicos. Para quem pensa agora em entrar na renda fixa, o diretor de gestão de recursos do Banco Alfa, Márcio Emery, avalia que "estamos perto do fim do período de alta de juros". Apesar dos bons ganhos esperados para a categoria, uma possível elevação de 0,50 ponto na taxa de juros pelo Banco Central amanhã já "está no preço" no mercado futuro. Ou seja, os fundos com papéis prefixados terão vantagem em relação aos DIs caso a queda esperada da Selic para o segundo semestre seja mais rápida que a esperada. Já as carteiras compostas por títulos pós-fixados, como as LFTs, podem se dar bem caso os juros demorem mais a cair. Os DIs ganham, em média, 3,07% no ano, até o dia 10, enquanto os renda fixa rendem 2,96%. Os fundos de ações lideram os ganhos, com 6,89%, superados apenas pelos de privatização, que investem em papéis da Petrobras e da Vale, e registram retorno de 17,73%.