Título: São Paulo ainda quer troca de indexador
Autor: Arnaldo Galvão e Claudia Safatle
Fonte: Valor Econômico, 16/03/2005, Brasil, p. A3

A Secretaria de Finanças do município de São Paulo soltou ontem uma nota em que diz que a discussão principal sobre a questão do endividamento da cidade, novamente levantado pela nova interpretação do Tesouro Nacional, envolve duas questões: a mudança do indexador da dívida, atualmente pelo IGP-DI e a elevação do limite de endividamento de 1,2 para 2. A nota diz que a dívida com o IGP-DI é "impagável" seja hoje, em 2016 ou em 2030, quando terminaria o contrato. A nova interpretação sobre o tema do endividamento alivia a situação do Rio Grande do Sul, que encerrou 2004 com um estouro de R$ 2,9 bilhões na relação entre a dívida consolidada e a receita corrente líquida definida para o período. O quadro revela uma deterioração das contas públicas gaúchas, já que no fim de 2003 o estouro havia sido de R$ 1,9 bilhão. A dívida gaúcha encerrou 2004 em R$ 30,3 bilhões, o equivalente a 2,82 vezes a receita de R$ 10,7 bilhões acumulada em 12 meses, quando o limite estava fixado em 2,55 vezes. Sob risco de perder o direito aos repasses voluntários da União, o Rio Grande do Sul vinha tentando desde 2004 convencer a União a trocar o IGP-DI pelo IPCA como indexador da dívida. (Marta Watanabe e Sérgio Bueno)