Título: Vendas crescem 6,24% em janeiro
Autor: Cláudia Facchini e Sergio Lamucci
Fonte: Valor Econômico, 16/03/2005, Brasil, p. A7
O volume de vendas do comércio varejista cresceu em janeiro pelo 14º mês consecutivo, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE. O índice ficou 6,24% acima do registrado no mesmo período do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, o crescimento foi de 9,25%. O resultado dividiu os analistas. Alguns viram uma expansão ainda forte, que pode até mesmo levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a ser mais duro hoje, enquanto outros apontaram desaceleração no ritmo de crescimento das vendas em janeiro, inferiores aos 11,42% registrados em dezembro. O economista Bráulio Borges, da LCA Consultores, é um dos que viram com bons olhos os números divulgados pelo IBGE. Ele diz que as vendas no varejo cresceram 1,3% no período entre novembro e janeiro, na série livre de influências sazonais, em relação aos três meses encerrados em dezembro. "Essa média móvel trimestral é um bom indicador da tendência de curto prazo, mostrando que o comércio começou o ano com um desempenho muito forte", afirma ele, ressaltando o desempenho do segmento de móveis e eletrodomésticos, que em janeiro cresceu 19,6% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Segundo o IBGE, o resultado é conseqüência do aumento da oferta de crédito e do crescimento da massa de salários. Os analistas ressaltam principalmente a evolução recente do mercado de crédito. A despeito da alta dos juros iniciada em setembro, a oferta de crédito continua a aumentar, com prazos mais longos e, em alguns casos, a juros mais baixos, como no caso do crédito com desconto em folha de pagamento. Para os analistas da consultoria GRC Visão, os números indicam que os efeitos da alta dos juros não estão atendendo às expectativas desejadas pelo Banco Central (BC), que é desacelerar o crescimento. "É mais um indicador que joga 'areia' nos objetivos do Copom de encerrar o ano com inflação em 5,1%". Mas há quem veja os números com mais pessimismo, como o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). "Desta feita o crescimento pode ser considerado baixo", afirma relatório do instituto, ressaltando que os 6,24% são "o menor crescimento desde fevereiro de 2004, se excetuarmos novembro de 2004 quando a evolução foi de 6,22%." O Iedi nota ainda que nos últimos meses, tirando dezembro, o comércio mostra "expansões menos intensas, sinalizando uma desaceleração e acomodação do crescimento". A economista Giovanna Rocca, do Unibanco, diz que o resultado veio um pouco mais forte do que o esperado. Segundo seus cálculos, as vendas em janeiro caíram 1,9% em relação ao mês anterior, em termos dessazonalizados, mas ela esperava queda de 2,8%. O IBGE mostrou ainda que a receita nominal do varejo aumentou 12,96% em relação a janeiro de 2004. Em 12 meses, o faturamento cresceu 13,17%. O segmento de combustíveis e lubrificantes foi um dos poucos a registrar variação negativa. O volume de vendas caiu 1,07%. Segundo o IBGE, foi influenciado pelos reajustes nos preços dos combustíveis em 2004. Apesar disso, nos últimos 12 meses, a variação é de 4,14%. O volume de vendas de híper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu 6,33% no mês, abaixo dos 12,31% de dezembro. Em 12 meses, o volume de vendas subiu 7,47%. (Sergio Lamucci, com agências)