Título: Analistas prevêem Selic a 16% até o fim do ano
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 04/01/2005, Finanças, p. C2
O mercado financeiro elevou de 15,5% para 16% ao ano a sua projeção mediana para a taxa básica de juro (Selic) no final de 2005. Dessa forma, adequou-se ao cenário de manutenção dos juros altos por um período relativamente longo, conforme foi sinalizado pelo Banco Central em seus mais recentes documentos oficiais. Os cerca de 100 analistas econômicos consultados pela pesquisa semanal feita pelo BC também esperam uma nova alta do juro em janeiro, dos atuais 17,75% para 18% ao ano. A pesquisa aponta que os economistas do mercado esperam que, em algum momento de 2005, o recente aperto na política monetária comece a ser desfeito. Mas esse eventual afrouxamento não será capaz de impedir que a taxa média de juro fique maior do que no ano anterior. Em 2005, os juros básicos médios vigentes seriam de 17,1% ao ano, ante 16,42% em 2004. O cenário é de juros reais bem mais elevados. A taxa média de 16,42% ao ano em 2004, combinada com uma projeção de IPCA de 7,47%, significa juro real de 8,33% ao ano; já a taxa de 17,1% ao ano prevista pelo mercado para 2005, com um IPCA esperado de 5,7%, equivale a uma taxa real de 10,79% ao ano. Os analistas resistem em convergir suas expectativas de inflação para o objetivo de 5,1% fixado pelo BC para o ano. Na pesquisa, o IPCA mediano se manteve estável em 5,7%, quebrando uma seqüência de três semanas seguidas de queda nas projeções para o índice. O próprio BC projeta um IPCA de 5,3% em 2005, na hipótese de a taxa básica de juros permanecer estável em 17,75% durante o ano inteiro. Nos seus documentos oficiais, ao BC vem apontando a inflexibilidade das expectativas de mercado como um dos principais riscos ao cumprimento da meta de inflação. O mercado financeiro também espera uma cotação do dólar mais baixa em 2005. Na média, o preço médio da moeda seria de R$ 2,88, menor que os R$ 2,93 projetados para 2004. Uma semana antes, os analistas projetavam um dólar médio de R$ 2,91 para este ano. A expectativa é que a taxa de câmbio termine 2005 em R$ 2,95. Devido ao dólar mais fraco, as exportações projetadas foram revistas de US$ 26,6 bilhões para US$ 26,39 bilhões. As expectativas dos analistas para o crescimento da economia se mantiveram constantes tanto para 2004 (5,1%) quanto para 2005 (3,5%). (AR)