Título: Susep nomeia novo diretor especialista em fiscalização
Autor: Catherine Vieira
Fonte: Valor Econômico, 04/01/2005, Finanças, p. C3
Poucos conhecem tão bem todos os meandros e procedimentos da fiscalização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) do que Eliezer Tunala. É nesta mesma área que ele atua há 25 anos, desde quando ingressou na autarquia, da qual se torna agora o mais novo diretor. Com sua experiência, Tunala completa o colegiado da Susep e deve ser uma peça fundamental num momento em que, como já declarou várias vezes o superintendente Renê Garcia, a fiscalização será a prioridade absoluta. "As coisas coincidem, tenho todo o acompanhamento da história da fiscalização da Susep e chego neste momento em que um grande enfoque está sendo dado a essa área", admite Tunala. Segundo ele, também coincide com sua chegada à diretoria um momento de grande transformação na forma de fiscalizar da autarquia. "A fiscalização externa vai passar por uma grande transformação em 2005, pois estamos implantando finalmente um sistema que vem sendo desenvolvido desde 1999, que permite fazer um monitoramento muito mais eficiente do risco das empresas fiscalizadas", diz Tunala. Na questão de controle de risco um outro assunto também deve voltar ao debate: o da blindagem das reservas dos planos de previdência, que hoje não existe. Uma das possibilidades, diz Tunala, é a criação de um fundo garantidor, financiado pelas próprias seguradoras. "Esta é uma possibilidade que discutimos aqui, internamente, mas ainda é embrionário", afirma o novo diretor. "A questão da blindagem terá que ser tratada no âmbito das discussões das mudanças que precisam ser feitas no marco regulatório do setor, que pode até ser uma outra marca deste ano de 2005", diz Tunala. Economista com pós-graduação na Coppead-UFRJ, Tunala coordenou a fiscalização externa da Susep entre 1994 e 2001 e desde então chefiava o departamento inteiro. Ele chega ao colegiado da Susep após um processo frenético de limpeza da pauta de julgamentos de processos que, por outro lado, ajudou a engordar o caixa. "Aqui, os processos são um pouco diferentes, há vários pequenos casos, tivemos que julgar praticamente três mil aqui na primeira instância e ainda restam alguns poucos para 2005, quando vamos zerar a pauta de vez." Com a estratégia, o volume de dinheiro arrecadado com multas elevou-se de R$ 8,2 milhões em 2002 para R$ 22,6 milhões em 2003 e, em 2004, o montante deve ter alcançado R$ 37,2 milhões, nas contas do novo diretor. "Também tivemos dois anos de reformulação e de criação de muitas novas normas, agora a tendência é começar a consolidar e a ver como funciona na prática tudo isso, daí a importância de focar na fiscalização, para ver se as regras criadas estão sendo cumpridas." O projeto de estimulo às ouvidorias, uma espécie de "menina-dos-olhos" do superintendente, também será ainda mais estimulado este ano.