Título: Verba para combater aftosa aumenta 114%
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Fonte: Valor Econômico, 05/01/2005, Agronegócios, p. B10

O Ministério da Agricultura anunciou que vai investir R$ 65,3 milhões no combate à febre aftosa no país este ano. A quantia é 114% superior ao volume de recursos - R$ 30,5 milhões - destinado ao combate à doença no ano passado, de acordo com o ministério. Num momento em que o país é alvo de embargo russo à carne por conta do surgimento de focos da doença - em 2004, foram um no Pará e outro no Amazonas -, o ministério afirma que a erradicação da aftosa terá "total prioridade" em 2005. "A vacinação é a única forma de eliminar a febre aftosa no Brasil. Por isso, é muito importante que todos os animais sejam imunizados", diz o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em comunicado. "Estamos em guerra contra a aftosa". Além dos focos confirmados, o setor levou outro susto nos últimos dias, com a suspeita de foco em Paranhos (MS), na fronteira com o Paraguai. Na segunda-feira, entretanto, o ministério informou que testes feitos nos bovinos deram negativo para aftosa. Ainda ontem, o ministério informou que a vacinação contra aftosa ficou perto de 100% nos principais Estados criadores de bovinos, conforme dados preliminares ou finais divulgados por órgãos de defesa locais. No Mato Grosso do Sul, foram vacinados 99,23% dos 20,587 milhões de bovinos do Estado. No Paraná, 98,57% dos 10,3 milhões de bois e búfalos foram vacinados contra a doença. Em Goiás, foram imunizados 91,22% do rebanho de 20 milhões de cabeças de gado e em São Paulo, o percentual de vacinação atingiu 99,35% do rebanho de 14 milhões. A aftosa não é uma preocupação só do Brasil. A Sociedade Rural Argentina solicitou ao Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar que inclua um antígeno na vacina contra aftosa para proteger o rebanho contra o vírus do tipo C, uma forma altamente infecciosa da doença. As vacinas no Brasil, Bolívia e Paraguai incluem esse antígeno, mas não as usadas na Argentina e no Paraguai, segundo o jornal El Cronista.