Título: Aliança tática com petistas em SP sinaliza busca de autonomia em 2006
Autor: Janaina Vilella
Fonte: Valor Econômico, 17/03/2005, Especial, p. A16
A rebeldia do deputado Rodrigo Garcia (PFL), que, aliado ao PT, derrotou o governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) na eleição para a presidência da Assembléia Legislativa, foi consentida pela direção da sigla e está sendo vista como uma oportunidade para discutir projetos políticos com o governador paulista em novas bases. "O PFL quer ter a sua autonomia e alinhamento automático é coisa da União Soviética", afirmou um alto dirigente nacional da sigla. Para ter o apoio do PFL em uma eventual candidatura presidencial, Alckmin não apenas terá que mudar o relacionamento com o partido no plano estadual, como colaborar para uma estratégia política conjunta dos dois partidos em Brasília. Segundo este dirigente, há vários exemplos de falta de coordenação no Congresso Nacional entre os dois partidos. As duas siglas estão atuando de forma separada em relação à Medida Provisória 232, que corrige a tabela do Imposto de Renda da pessoa física e aumento a tributação sobre prestadores de serviço. E na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, o PSDB não apoiou a candidatura do pefelista José Carlos Aleluia (BA) que terminou em quarto lugar. A derrota de Alckmin, entretanto, também teve fatores internos, segundo este integrante da cúpula do PFL, que critica a coordenação política desenvolvida pelo secretário da Casa Civil, Arnaldo Madeira. "A Casa Civil errou ao privilegiar o diálogo com algumas lideranças, excluindo outros das conversações. Era preciso 'ternurar' mais os parlamentares. Como não houve isso, as bancadas mostraram que não querem mais o alinhamento com o Executivo", disse. Na Assembléia, os parlamentares do PFL falam abertamente das suas insatisfações com a parceria tucana. "O PFL nunca foi e nunca será apêndice do PSDB em São Paulo", afirmou o deputado Caldini Crespo. Desde o final do ano passado, o PFL dá indicações de desconforto em ver-se atrelado a uma candidatura tucana à Presidência em 2006. Logo após as eleições municipais de 2004, quando Alckmin recebeu apoio da ala cearense do PSDB para se candidatar, o PFL lançou a pré-candidatura do prefeito do Rio, Cesar Maia. O objetivo específico era aumentar a exposição do prefeito do Rio nas pesquisas de opinião, de modo a alçá-lo ao mesmo patamar de aceitação que o governador paulista consegue hoje, algo em torno de 15%. Com Cesar Maia em pé de igualdade, os pefelistas aguardariam que os tucanos abrissem negociações para uma chapa única. Alckmin tenta, entretanto, manter travado o cronograma de negociações eleitorais até o fim do ano. Na eleição para a Assembléia, os partidos atuaram em bloco. Dos onze deputados do PFL, nove votaram em Garcia. As direções nacional e estadual pefelista recomendaram o voto no tucano Edson Aparecido, mas não cogitaram punir Garcia pela rebeldia. Alckmin começou ontem mesmo a reagir à derrota, excluindo o PFL de uma reunião com a base governista na Assembléia Legislativa. Alckmin não conversou, sequer por telefone, com o novo presidente da Assembléia, mas já manteve contatos com dirigentes do PFL paulista e nacional. Em um encontro de quinze minutos, Alckmin agradeceu o apoio dos 46 deputados que votaram no candidato tucano Edson Aparecido, derrotado pelo deputado Rodrigo Garcia (PFL). O novo presidente do Legislativo deve procurar o governador na próxima semana.