Título: CTNBio libera algodão da Monsanto
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 18/03/2005, Agronegócios, p. B10
Após dois dias de reunião, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) autorizou nesta quinta-feira plantio e comercialização do algodão transgênico Bollgard, resistente a insetos, desenvolvido pela múlti americana Monsanto. O produto contém o gene Baccillus thuringiensis (Bt), que gera uma proteína inseticida que protege a planta de ataques. Para o plantio do Bollgard, porém, foram impostas condições como apresentação de métodos para identificar este tipo de algodão, zoneamento para definir onde pode e onde não pode plantar, área de "refúgio" com a plantação de 20% de variedades convencionais e barreiras de separação entre ambos. Na próxima terça-feira, a CTNBio terá nova reunião, esta extraordinária, para decidir sobre o pedido de importação de milho transgênico da Argentina feito por avicultores pernambucanos. A comissão analisará, também, a nova Lei de Biossegurança - que depende de sanção do presidente Lula. A CTNBio analisa, ainda, 11 pedidos de liberação comercial de transgênicos. Na lista, estão algodões transgênicos resistentes a herbicidas, como o Liberty Link, da Bayer CropScience, e o Roundup Ready, da Monsanto. Também estão na fila o milho resistente ao glufusinato de amônia Liberty Link, da Bayer CropScience, o milho Bt Guardian, da Monsanto, e o milho da Syngenta, além de arroz e soja transgênicos. A análise da liberação do Bollgard teve prioridade da CTNBio, conforme apurou o Valor. A comissão inverteu a pauta para analisar o processo da Monsanto antes de questões como a liberação de novos experimentos, a concessão de certificados CQB e a importação de sementes para pesquisa. Na votação plenária que decidiu pela liberação, só o Ministério do Meio Ambiente (MMA) foi contra. Educação e Saúde não estiveram presentes. "A CTNBio tomou mais uma decisão política e está fugindo do seu papel científico", disse Rubens Nodari, representante do MMA. Para ele, os estudos apresentados são "absolutamente insuficientes" para as condições do país. Para liberar o algodão, foram apresentados dez pareceres técnicos na Subcomissão Setorial Vegetal e Ambiental. Além disso, cinco especialistas no tema falaram aos membros. A pesquisadora Eliana Fontes, da Embrapa, alertou que é preciso evitar o fluxo de genes entre o algodão transgênico e variedades selvagens. Ela também defendeu zoneamento e segregação. Para Hélio Tollini, diretor da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a decisão deverá tornar o Brasil mais competitivo. "O uso de inseticida tem peso em torno de 40% nos custos de produção". Segundo ele, a decisão favorece as indústrias têxteis, que concorrem com produtos chineses, e deve gerar empregos.. (Colaborou Mônica Scaramuzzo, de São Paulo)