Título: MP investiga operações com empresas satélites
Autor: Josette Goulart
Fonte: Valor Econômico, 18/03/2005, Finanças, p. C1
O Ministério Público Federal (MPF) apreendeu documentos da empresa Rutherford Trading, empresa que comercializa soja, que ligam fortemente a trading ao Banco Santos. Foram encontrados pedidos de aprovação de crédito de clientes do Banco Santos e remessas de debêntures de empresas citadas em diversas ações judiciais contra o banco no valor de R$ 7,1 milhões para o Bank of Europe. A descoberta pode ajudar as empresas que entraram na Justiça alegando terem sido enganadas ao tomar empréstimos no Banco Santos e como contrapartida compraram debêntures das tais empresas coligadas - mas que, sabe-se hoje, não pertencem, pelo menos diretamente, ao grupo que controla o Banco Santos. Em primeira e segunda instância, os juízes estão divididos. Os casos devem chegar mesmo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas os advogados do Banco Santos comemoram os pedidos de liminar negados em segunda instância de suspensão do pagamento da dívida. O advogado Fabrício Rocha, do escritório de Sérgio Bermudes, diz que o Banco Santos tem sido vitorioso porque as debêntures são de uma empresa à parte, caso da Santospar e Sanvest. O advogado da Santospar, Jeremias Alves Pereira Filho, diz que as primeiros vencimentos das debêntures da Santospar acontecem somente em maio. Ele garante que a intenção é pagar, mas diz que também a Santospar tem créditos a receber que podem não ser honrados. A Santospar é uma empresa satélite do Banco Santos, seu principal cliente, segundo Pereira. Um diretor do Banco Santos, ainda atuando por lá, diz que desde fevereiro a instituição está renegociando os empréstimos com seus clientes e que não se está questionando a parte dos créditos que foram para as debêntures, o que mostra, segundo o próprio diretor, a ligação com o conglomerado. (JG)