Título: Vale obtém lucro recorde em 2004 de R$ 6,4 bilhões
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 22/03/2005, Brasil, p. A34

A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) fechou 2004 com um lucro líquido, contabilizado dentro das regras do mercado de capitais brasileiro, de R$ 6,46 bilhões. O resultado divulgado ontem a noite é 43,3% maior do que os R$ 4,5 bilhões de 2003. Com este resultado, a Vale bateu um novo recorde histórico. O lucro líquido por ação foi de R$ 5,61, ante R$ 3,92 em 2003, e o retorno sobre o patrimônio ficou em 35,6%. Seguindo as normas da contabilidade americana, o resultado consolidado da Vale, em 2004, registrou um lucro líquido de US$ 2,57 bilhões. Nesse caso, o crescimento foi de 66,2% em relação aos US$ 1,54 bilhão, de 2003. O lucro por ação ficou em US$ 2,23. O retorno sobre o patrimônio foi de 34,8%. Pelas regras brasileiras, a geração operacional de caixa da companhia medida pelo lajida (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) também foi o maior da história da companhia, somando R$ 12,24 bilhões, com aumento de 51,2% sobre 2003. A receita operacional bruta da Vale atingiu R$ 29 bilhões. O lajida foi de US$ 3, 72 bilhões, pelas regras contábeis americanas, e a receita bruta de US$ 8,47 bilhões, superando em 52,9% a do ano passado. O resultado da Vale já era previsto pelos analistas de bancos e consultorias, que apostavam num lucro ligeiramente superior ao realmente atingido, na faixa de R$ 6,5 bilhões a R$ 6,9 bilhões. As projeções para o lucro em dólares foram de US$ 2,6 bilhões e US$ 2,7 bilhões. Pedro Galdi, da ABN Amro Corretora destacou o forte aumento da demanda por minério de ferro e o reajuste de preço de 18,6% em 2004 como os responsáveis pelo desempenho. Cristiane Viana, da Corretora Àgora, destacou que a apreciação do real, que sempre tem um efeito negativo já que 75% da receita da Vale é indexada em dólar, foi compensada pelo aumento da vendas do minério. Para Cristiane e Galdi, 2004 foi um ano bom para a mineradora, mas 2005 será bem melhor por conta da alta de 71,5% no preço do minério. Os resultados do quarto trimestre do ano, pelo critério brasileiro, foi de um lucro líquido de R$ 1,52 bilhão, crescimento de 92,7% em relação ao mesmo período de 2003. O resultado foi puxado pelo crescimento da receita bruta. Do lado negativo, houve aumento de R$ 571 milhões nas provisões para pagamento de imposto de renda e contribuição social e de R$ 493 milhões no custo de produção e venda da empresa. Pelas normas americana, a companhia lucrou US$ 721 milhões no quarto trimestre, o segundo maior em valor trimestral. Cerca de 167% ante o quarto trimestre de 2003, puxado pelo volume de vendas de minério de ferro e pelotas, de 61,82 milhões de toneladas. Na avaliação da companhia, seu lucro em 2004 foi beneficiado pela expansão da demanda por minérios e metais e pela ampliação da capacidade de todas as suas atividades operacionais. Além, disso, a empresa destacou os projetos competitivos e aquisições. Isso, segundo sua avaliação, resultou na criação de valor para os acionistas. Segundo os dados divulgados ontem, o retorno total para o acionista da Vale entre 2001 e 2004, tanto pelo conceitos brasileiro como pelo americano foi, em média, de 38,9% ao ano no período. Em 2004, foi de 45,9%. As vendas de minerais ferrosos bateram recordes no ano passado, produzindo uma receita de US$ 5,8 bilhões, que reúne inclusive a produção da Caemi. Os embarques de minério de ferro geraram US$ 3,99 bilhões e o de pelotas, US$ 1,09 bilhão. Em 2004 a Vale vendeu 231 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas, um novo recorde histórico. Com isso, a companhia permaneceu na liderança do mercado transoceânico, com 32,1% do volume de minério comercializado em 2004. Só de minério de ferro foram negociadas 203,536 milhões de toneladas e 27,507 milhões de pelotas. A companhia, para cumprir seus contratos, adquiriu 15,9 milhões de toneladas de minério de ferro de pequenas mineradoras. Só para o mercado chinês foram embarcadas 41,045 milhões de toneladas de minério de ferro, ou 17,8% do total do volume vendido pelo Vale. Esse volume garantiu para a empresa uma participação de mercado de 19,8% nas importações totais da China.