Título: PDT aposta em aliança com PPS para disputa em 2006
Autor: Janaina Vilella
Fonte: Valor Econômico, 22/03/2005, Política, p. A36

O PDT aposta na consolidação da aliança com o PPS para rediscutir o papel da esquerda no Brasil e desenhar um projeto alternativo de governo para 2006, com ênfase no crescimento econômico e na geração de empregos. As duas legendas já fecharam alianças para lançar candidato próprio a governador em 14 das 27 unidades da federação e negociam a escolha de um nome em comum para a sucessão presidencial que faça frente à polarização entre o PT e o PSDB. Segundo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, reeleito ontem na convenção nacional do partido, no Rio, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire (PE), "é, sem dúvida, um candidato a ser considerado para a corrida presidencial", como defendeu um grupo de deputados do PPS, liderado por Raul Jungmann (PE), mas adiantou que o PDT também apresentará seus quadros, no Seminário Nacional das Esquerdas, marcado para 19 de abril, em Brasília. Lupi lançará os nomes do senador Jefferson Péres, do Amazonas; do deputado Alceu Collares, ex-governador do Rio Grande do Sul; e do ministro Maurício Corrêa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, de Brasília, como quadros alternativos. "Se confirmada essa aliança, precisamos chegar a uma determinação comum. Freire é um nome a ser levado em consideração, sem dúvida, mas também vamos sugerir os nossos candidatos e debater o que é melhor para essa aliança", disse Lupi. "O mais importante para mim nessa aliança é a criação de um projeto alternativo a esse modelo econômico que está arrochando salários e desnacionalizando a pátria brasileira. Um projeto voltado para o crescimento nacional e para a geração de empregos. O PT está ficando muito excessivo. O Lula está esquecendo do menino pobre de Garanhuns e se lembrando muito do candidato feito por Duda Mendonça", alfinetou Lupi. Os números da última eleição municipal, segundo Lupi, já mostram "a força da união entre as legendas". O PDT elegeu 311 prefeitos e o PPS 305. Juntos os partidos somaram 12 milhões de votos: "Com esta aliança, de imediato, passamos a ter uma bancada de 31 deputados federais (14 do PDT) e cinco senadores (4 do PDT)". "Ao contrário do que muita gente dizia, de que o PDT estava fadado à extinção com a morte de Leonel Brizola, o partido obteve resultados altamente significativos, elegendo prefeitos de cidades importantes", complementou o líder da bancada do PDT, na Assembléia Legislativa do Estado do Rio, deputado Paulo Ramos. Os representantes dos dois partidos não cogitam integrar qualquer bloco de apoio ou de oposição ao governo federal. "Temos hoje uma linha de atuação própria, tanto no Senado, quanto na Câmara e somos respeitados por isso", disse Lupi.