Título: Opportunity agora aposta na Anatel
Autor: Catherine Vieira, Taís Fuoco* e Talita Moreira
Fonte: Valor Econômico, 22/03/2005, Brasil, p. B3

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá ser o palco do próximo ato na disputa entre o Opportunity e o Citigroup pela Brasil Telecom (BrT). Derrotado na na Justiça de Nova York, o Opportunity aposta suas fichas no órgão regulador - por onde têm de passar todos os processos de troca de controle acionário de concessionárias de telefonia. "A transferência tem de ser feita respeitando-se as regras e a legislação brasileira, já que as empresas têm concessão pública no Brasil", afirmou o presidente do conselho de administração da BrT Participações, Luís Octavio da Motta Veiga. Segundo ele, a Anatel ainda não se pronunciou sobre a documentação apresentada pelo fundo. Por isso, as mudanças de controle na BrT ainda não foram autorizadas. Um interlocutor ligado aos fundos de pensão afirmou que nenhum passo oficial foi dado para a convocação de assembléias nas empresas controladas pelo fundo CVC. Os novos gestores estão conhecendo os detalhes da situação das carteiras e tudo está sendo acompanhado pela Anatel. Na semana passada, um tribunal de Nova York determinou que o Opportunity transferisse imediatamente a gestão do CVC, que controla a BrT, para o Citigroup. Sem definições, analistas e investidores também questionam se a possível venda da participação do Citi para a Telecom Italia abrirá na BrT o direito de "tag along" (direito de os minoritários venderem ações ordinárias a 80% do preço pago pelo controle da empresa). A questão é polêmica porque a Telecom Italia tem posição relevante na BrT (19% da holding controladora) e faz parte do acordo de acionistas da operadora. Um interlocutor próximo do Opportunity disse que, com a participação que tem e com os direitos suspensos, a Telecom Italia está fora do controle da empresa. Por isso, a vitória do banco carioca na câmara de arbitragem em Londres seria importante para manter a situação como está hoje e daria um argumento a mais para obter o "tag along". Mas para uma fonte ligada aos fundos de pensão, a Telecom Italia já faz parte do bloco controlador da BrT. O analista Roger Oey, do Banif, diz que a expectativa de "tag along" está apenas parcialmente precificada nas ações da BrT. Maurício Fernandes, da Merrill Lynch, calcula que a Telecom Italia terá de pagar cerca de R$ 2,5 bilhões aos minoritários da BrT caso adquira a fatia do Citigroup. O próprio Opportunity receberia o "tag along", por meio das participações indiretas que tem na estrutura societária da BrT. Há incertezas também sobre o que acontecerá com a empresa nas próximas semanas. O presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel), José Zunga, quer se reunir com o Citigroup para garantir que as mudanças não acarretem demissões de funcionários de áreas operacionais da BrT. Nos cargos executivos, porém, alterações podem estar a caminho mesmo antes da troca de controle. Há rumores, não confirmados pela BrT, de que o comando da empresa estaria preparando a demissão de diretores e gerentes das áreas mais ligadas à gestão atual. O número ficaria em torno de 250 pessoas. A empresa não comenta o assunto. (*Do Valor Online, de São Paulo)