Título: Em duas décadas, família Mestriner sai do fundo de quintal para duas fábricas
Autor: Carolina Mandl
Fonte: Valor Econômico, 22/03/2005, Empresas &, p. B4
Na família Mestriner, o destino de todos parece nascer traçado: o envolvimento com o negócio vem desde criança. Cinco dos seis filhos de Augusto Mestriner atuam no ramo calçadista na cidade. O início da história foi em 1983, quando com o filho Carlos Alberto fundou a Klin, hoje a maior fabricante de Birigüi. Anos depois, o irmão Valdir entrou na sociedade. Em 1987, foi a vez da irmã Maria Aparecida criar a Pampili, principal produtora de sapatos infantis femininos, com o marido. A empresa também abriga Eliane, irmã de Maria Aparecida. Outra irmã, Silvia optou pelo varejo, com uma loja de sapatos infantis no bairro de Moema, em São Paulo. Hoje, as duas fábricas da família Mestriner despejam diariamente no mercado mais de 60 mil pares de sapatos, nas mais variadas cores, modelos e marcas. Todos birigüienses, os irmãos se inspiraram na vocação da cidade na hora de definir a profissão que seguiriam. Carlos Alberto era vendedor de produtos químicos para fábricas de calçados. De tanto testar a colagem de sapatos, resolveu ele mesmo fabricar alguns. Em 1983, fazia 15 pares de sandálias ortopédicas por dia. "Era uma empresa de fundo de quintal", diz ele, hoje um empresário que comanda a produção de 40 mil pares ao dia. Da porta de casa para fora, Carlos Alberto, Valdir e Maria Aparecida são concorrentes: controlam as duas maiores indústrias de Birigüi. Enquanto a Pampili só faz sapatos para meninas, a Klin produz para os dois sexos. "Mas essa competição não gera problema", garantem. "O valor à família é muito grande", diz Carlos. O caso dos Mestriner não é muito diferente do que acontece com os outros empresários de Birigüi. São empresas jovens, que estão na primeira geração de uma família com negócios no ramo calçadista. Os irmãos Sérgio e Ricardo Gracia, por exemplo, fundaram a Kidy, em 1990. Com formação em veterinária, Sérgio vendia os calçados que o irmão fazia em uma fabriqueta. Hoje, ambos conduzem unidades fabris que fazem 20 mil pares de calçados por dia. "Até que não mudei muito de área. Afinal, ainda estou lidando com o couro animal", brinca Sérgio, que foi até o Rio de Janeiro cursar veterinária. A maior preocupação de Sérgio hoje é com a sucessão da empresa. "Minha filha tem apenas cinco anos, mas já penso nisso. Acredito que o grande desafio do pólo de Birigüi será passar pela segunda geração", afirma. A Popi, primeira fábrica de Birigüi e que já foi a maior do país, vivenciou esse problema. Com duas famílias no comando, a empresa enfrentou dificuldades na hora da sucessão. Hoje, tenta se reerguer.